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Violência, justiça e sociedade

         

 As constantes notícias sobre as mais diversas formas de violência, no Brasil e nos demais países, evidenciam a predominância da agressividade humana, tanto nas relações individuais como coletivas, e expressam, além da incapacidade governamental, a incompetência da sociedade para resolver esse complexo e desafiador problema. Sob uma perspectiva espírita, essa realidade reflete o nível evolutivo de parte significativa da humanidade terrestre, e o quanto estamos longe, por enquanto, da condição de mundo pacífico e regenerado.

         Muitas vezes, as pessoas optam pela violência para a resolução de conflitos, até os mais banais, quando não são tomadas por súbita irrupção de fúria, de imenso poder destrutivo e consequências imprevisíveis. É óbvio que tal comportamento, longe de resolver qualquer problema, apenas complica a situação, ao deixar um rastro de destruição. O resultado, para quem escolhe o caminho de qualquer tipo de violência, são futuros sofrimentos e dores afligentes, de acordo com a lei de causa e efeito.

Quando tomamos conhecimento de algum crime, podemos ter a tendência de justificar alguma prática violenta contra seus autores, como se isso pudesse, de algum modo, solucionar o problema. Tal postura reflete a inferioridade que ainda nos caracteriza, ao sentirmos satisfação pelo sofrimento de quem julgamos culpado por algum crime. Isso é sadismo e desejo de vingança disfarçados de senso de justiça, longe de qualquer sentimento fraterno e caridoso.       

Certamente, quem descumpre as leis ou comete um crime precisa responder por isso, até mesmo, em certos casos, ver-se privado de liberdade. Sob uma visão evolutiva, seria necessário que as pessoas endividadas perante as leis pudessem ressarcir a sociedade de formas mais inteligentes, construtivas e úteis. Além de trabalhar e prestar serviços compensatórios, seria fundamental que aqueles que foram condenados recebessem condições adequadas de estudo, qualificação profissional e educação integral. Para isso seria necessária uma diferente visão de todo o processo, desde a adequação da legislação até a reinserção social de quem delinquiu. Estamos muito longe desse ideal, pois, infelizmente, fazemos parte de uma cultura violenta, vingativa e punitiva, distante de uma proposta (re)educativa e promotora da dignidade humana. Não se pode tratar um criminoso como um inocente, mas tratá-lo com desumanidade ou indiferença certamente lhe agravará os desequilíbrios e tendências criminosas, revertendo o prejuízo a toda a sociedade.

         O mundo necessita urgentemente de uma cultura de paz, de resgate de valores e princípios elevados e enobrecedores, inclusive no modo como são tratados aqueles que cometem delitos de toda espécie. Estamos saturados de leis, mas os crimes e a violência continuam, evidenciando a falência do modelo atual. A educação, sobretudo moral e espiritual, pode contribuir significativamente na prevenção de crimes e na redução da violência, e, quando esta já houver ocorrido, ajudar eficazmente na recuperação de quem se equivocou.

         Se a educação é fundamental na construção de uma sociedade mais justa, pacífica e feliz, isso deve se aplicar em especial a quem mais precisa dela, ou seja, quem se desviou do caminho de obediência às leis e à ordem, devolvendo-lhes a consciência cidadã, com a perspectiva de uma saudável participação social. Não podemos nos esquecer do caráter preventivo da educação, quando adequadamente aplicada desde a infância, em ambiente escolar e familiar saudável, respeitoso e construtivo.

         Diante da realidade do mundo, obviamente são necessárias medidas repressivas para os criminosos, mas certamente existem muitos casos em que os transgressores seriam beneficiados por medidas construtivas que promovessem a sua educação, o trabalho e a subsequente ressocialização em melhores condições psicológicas, educacionais e profissionais.

         A realidade social em que se vive reflete os seres humanos que a compõem, bem como o nível de civilidade de um povo. O descaso com que são tratadas as questões gravíssimas da violência reflete a negligência de grande parte da sociedade e das autoridades ao omitirem-se diante do problema. Felizmente existem iniciativas heroicas de pessoas e grupos realmente comprometidos com o bem-estar social e a dignidade humana, as quais merecem todo o apoio, incentivo e participação.

         Com relação à violência, sob quaisquer formas em que se apresente, é notória a necessidade de se ampliarem ações e políticas preventivas, mais importantes do que as simplesmente punitivas. Para isso, é necessária a participação de todos os que sejam lúcidos, esclarecidos e comprometidos com o bem geral. Propor medidas inteligentes, educativas e eficazes, que reduzam a violência e promovam a paz torna-se inadiável, para que, em futuro não muito distante, encontremos melhores condições de segurança, justiça e bem-estar social.

         Para que isso seja possível e a fim de facilitar o processo, o Espiritismo traz contribuição valiosa, ao propor a transformação moral do ser humano como sendo o mais eficiente meio para o aprimoramento da humanidade, com vistas a um mundo regenerado, porque composto por seres humanos fraternos e pacíficos.