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Superação do Medo

Tema complexo da vida, o medo é inerente aos seres dotados de sensibilidade emocional, e o homem, como ser biológico mais evoluído, manifesta-o em diferentes circunstâncias e por diversas razões.

Acompanhando a criatura na longa jornada evolutiva através dos tempos, o medo se fez presente nas mais variadas situações da vida humana, estando arraigado nas camadas mais profundas do seu psiquismo.

Parte do instinto de defesa, o medo, quando fisiológico, protege a pessoa em situações potencialmente ameaçadoras. Por exemplo, diante de uma serpente, sente-se um medo súbito, que faz com que a pessoa imediatamente se afaste e fuja do perigo. Esse, evidentemente, é o medo saudável e natural, que se manifesta e desaparece sem deixar marcas nem traumas.

Quando os medos fogem do seu aspecto de proteção e comprometem a qualidade de vida de alguém, podem ser classificados como patológicos. É o caso das fobias, fenômeno em que se tem um medo irracional e desproporcional ao potencial de perigo do objeto temido. Existem inúmeros tipos de fobias, das mais comuns às mais raras e peculiares.

Além dos medos trazidos do passado, que se manifestam na personalidade atual, há os que são assimilados, quando incutidos nas crianças por adultos temerosos ou, ao contrário, ameaçadores, e que podem acompanhá-las durante toda sua existência.

Diversos receios se originam na consciência de culpa, a qual é trazida de encarnações passadas pelos erros cometidos e suas consequências infelizes. Muitas vezes uma pessoa tem um medo que lhe parece injustificável pelas circunstâncias atuais, mas que seria compreensível caso pudessem ser sondados os arquivos do inconsciente. Quem, por exemplo, haja cometido um crime  em existência pregressa pode, na atualidade, ter medo de ser condenado, preso ou injustiçado. Esse quadro permanece até que ocorra a reparação, possibilitando a liberação definitiva das matrizes geradoras do medo. Portanto, a consciência tranquila e pacificada é preventivo eficaz contra os conflitos psíquicos, dentre os quais o medo.

Além do temor de algum ser ou situação presente, existe o receio sem causa aparente, constituindo desafio às indagações superficiais. Neste caso, trata-se de uma sensação subjetiva ameaçadora, independentemente da realidade externa, objetiva. Esse tipo de medo pode causar grande sofrimento, pois a intensidade do medo não depende da causa externa, mas sim da percepção subjetiva, que lhe atribui significado maior ou menor, dependendo de inúmeras variáveis. Algo pode ser aterrador para algumas pessoas e não despertar nenhum temor a outras.

Complexo em sua causalidade, o medo pode ser desencadeado pela presença de seres espirituais – desencarnados – cuja influência sobre o encarnado é percebida como sensação aflitiva e desagradável. Nesses casos trata-se de obsessão espiritual em que o espírito presente pode ter intenções destrutivas sobre sua “vítima”.

No caso de fobias e quadros mais intensos de medo, como a síndrome do pânico, é necessário tratamento especializado de profissionais de psicologia e medicina. Em tais situações a medicação correta é de grande ajuda, até que o paciente consiga, por outros meios, a superação dos seus temores. Existem terapias profundas, medicamentosas ou não, capazes de dissolver os núcleos energéticos onde se aloja o medo, eliminando assim as suas matrizes.

Importante compreender o apego como causa do medo. Quando existe apego a algum objeto, situação ou ser, consequentemente há o medo de se perdê-lo. Esse temor dura até o momento inevitável da perda ou separação, quando então é substituído pela dor da ausência. Daí a importância de se cultivar o desapego como libertador das amarras psíquicas, promovendo a serenidade diante de quaisquer situações.

A Doutrina Espírita, através da mensagem que proporciona, colabora para eliminar ou amenizar muitos temores: da morte, dos espíritos ou fantasmas, de fenômenos paranormais, entre outros.

Dentre os instrumentos de valor terapêutico para o alívio do medo estão as lições espíritas que esclarecem inúmeros mistérios da vida e dos fenômenos que dela fazem parte. Através de vasta literatura muitos temas são abordados e explicados com clareza. Conhecedor de realidades mais profundas da existência bem como das leis subjacentes a elas, o espírita passa a ter maior serenidade diante dos desafios existenciais, superando eventuais temores e adquirindo cada vez mais confiança em si mesmo, na vida e em Deus.

Desde que praticadas, as instruções recebidas auxiliam no desenvolvimento das potencialidades humanas, dentre as quais a coragem, o otimismo e a esperança. A fé, virtude essencial da alma, pela qual o ser sente-se unido à Fonte Universal da vida, traz grande força interior, permitindo ao viajor terreno enfrentar todas as vicissitudes da existência com equilíbrio e confiança.

Mais importante que tudo, a consciência espiritual é o maior antídoto do medo. Quanto mais a consciência estiver focada nos aspectos internos do ser, na sua realidade essencial de espírito imortal, mais imune estará a todas as formas de medo. Mergulhada no Oceano Cósmico da vida, sente-se segura e protegida, e sabe-se  indestrutível e inabalável, mesmo enfrentando os maiores desafios e ameaças do mundo exterior. Quem atinge esse estado conquista a serenidade imperturbável e a plena harmonia interior. Tal é o estado sublime dos espíritos superiores, que devemos também buscar, na certeza de alcançá-lo, pois é o destino venturoso de todos nós.

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