Cadastre-se em nosso boletim semanal

Nome:
Email:
Cadastre-se e receba as atualizações do site

Infidelidade e Perdão

O tema da infidelidade tem estado presente em todas as épocas da história humana, principalmente com respeito à de natureza conjugal.

Em todos os tempos homens e mulheres, pelas mais diversas razões, cederam a impulsos vigorosos que os conduziram ao adultério. Em muitos desses casos o parceiro ou a parceira lesados não ficaram sabendo, de imediato, dos fatos infelizes.

Ocorre que, se não durante a encarnação, depois da morte física tudo se desvela aos olhos da alma, portanto não há como se esconder indefinidamente do olhar alheio e principalmente da própria consciência.

Sabemos que, apesar de sempre desagradável e dolorosa, a infidelidade traz significados diferentes para cada ser, dependendo do seu nível evolutivo, compromissos cármicos, provas e expiações a passar, desafios a superar... O que para uma pessoa significa dor intolerável, para outra pode ser algo compreensível e suportável.

Há casos em que a suposta vítima da traição, ao fazer uma autoanálise e uma reflexão em torno da própria vida, pode perceber que foi, até certo ponto, corresponsável pela situação adversa. O Espiritismo nos esclarece que não existem vítimas do destino nem da vida e que cada um, mediante os próprios atos, constrói o futuro feliz ou desditoso para si mesmo.

Quem desrespeita os vínculos afetivos assumidos se candidata, naturalmente, a passar por situação semelhante no futuro, sob o mecanismo perfeito da Lei de justiça que regula os caminhos humanos. Porém, é sempre possível mudar o destino, desde que exista o sincero arrependimento, seguido da reparação – atitudes e ações renovadas que credenciem o ser a resgatar as faltas cometidas de forma mais suave e construtiva. A Lei é de justiça, mas também de misericórdia, caso contrário nunca sairíamos das situações infelizes em que nos encontramos tantas vezes.

Aquele ou aquela que, após ser vítima de qualquer forma de infidelidade, perdoa verdadeiramente, revela sua condição de nobreza e elevação espiritual, pois somente quem ama é capaz de perdoar.

A pessoa que trai na verdade trai a si mesma, pois desrespeita sua própria integridade e desarmoniza-se com a própria consciência. Quem é infiel, em qualquer aspecto da vida, o é em relação a si mesmo, pois deixa de cumprir os compromissos que sabe serem os corretos para a própria  realização. Não há como desfrutar da verdadeira paz se a consciência carrega erros ainda não corrigidos. O que não for reparado no presente deverá, invariavelmente, ser corrigido no futuro, única forma de se harmonizar a vida com as Leis universais. Quanto mais se toma consciência da sacralidade dos compromissos assumidos – pessoais, familiares, sociais, profissionais – melhores são os frutos de alegria, harmonia e paz que se colherão na jornada terrena e depois dela.

Existem muitas formas de infidelidade, além da conjugal: nas amizades, nos negócios, na família, nas relações sociais... Quantas vezes temos sido infiéis aos compromissos que assumimos antes de reencarnarmos e que agora, no mundo material, nos recusamos a cumprir? Quantas justificativas procuramos encontrar para fugirmos aos deveres que nos são impostos pela Vida?

Quanto somos infiéis a nós mesmos? Quantas vezes deixamos de ouvir a voz da consciência; nos esquecemos de auscultar o coração; nos agredimos por não fazermos o que seria o melhor ao nosso alcance; traímos o que já sabemos ser o correto, segundo nosso entendimento, obedecendo aos impulsos inferiores que ainda nos caracterizam? Seguramente ainda não conseguimos ser íntegros, sinceros e fiéis ao que desejamos realizar de melhor na vida. Por isso, ao lado de uma frequente autoavaliação lúcida e sincera, precisamos exercitar o perdão a nós mesmos, que nos propicia o recomeço todas as vezes que errarmos, permitindo-nos sair  dos caminhos equivocados e encontrar o rumo da verdade que liberta e conduz à plenitude.

Nem sempre a traição ocorre de modo violento ou ostensivo. Lembremo-nos do exemplo de Jesus, que foi traído com um beijo de um de seus discípulos que com ele conviveu intimamente, bem como negado três vezes por Simão Pedro, que dissera que daria a própria vida pelo Mestre, o que de fato o fez, depois de se arrepender e retomar a fé. Jesus não apenas os perdoou como voltou, após a ressurreição, para auxiliá-los amorosamente.

Esses exemplos nos mostram o quanto ainda somos passíveis de errar, em qualquer área da vida, e de quanto necessitamos da terapia do perdão, a começar do autoperdão, quando venhamos a reconhecer atitudes em nós mesmos que desaprovamos.

Diante de alguém que haja sido infiel a qualquer compromisso, cabe-nos exercitar a ausência de julgamento e o auxílio sincero para a retificação. Nunca saberemos todos os motivos que fizeram alguém se equivocar, nem podemos medir os esforços que fez para não errar. Portanto, compaixão e fraternidade sempre.

Diante das dádivas que os ensinamentos espíritas nos trazem, cabe-nos refletir sobre a responsabilidade de cada um manter fidelidade aos compromissos assumidos, poupando-se desse modo sofrimentos desnecessários e libertando-se de débitos cármicos complicadores do destino. Fidelidade hoje – paz e liberdade desde agora e também no amanhã.

Curta e Compartilhe esse artigo no Facebook!

Mais artigos deste autor