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Tornar-se Espírita

Ao se tornar membro de uma religião ou filosofia espiritualista, o ser humano aceita, com maior ou menor consciência, os princípios e práticas da crença que abraça, passando a orientar-se pelos seus preceitos.

A adesão a determinada religião pode dar-se por motivos exteriores – tradição, convenções sociais, influência familiar, imposição de líderes religiosos ou políticos, condicionamentos culturais – ou por razões interiores, resultantes de uma busca sincera de sentido existencial. Somente no segundo caso é que a vivência religiosa tem um significado mais profundo e evolutivo, porque reflete maturação da alma que sente a necessidade de descobrir e compreender o sentido da vida e dos seus fenômenos.

No caso do Espiritismo o ingresso de novos membros ao seu movimento foge dos padrões religiosos convencionais. Ninguém se torna espírita através de batismo, nem de rituais ou cerimônias especiais. Não há conversão provinda do exterior, mas compreensão gradual que desperta a fé inabalável. A aceitação do Espiritismo é necessariamente espontânea e consciente. Por isso ninguém nasce espírita, mas se torna espírita pelo consentimento da razão. É o resultado de uma tomada de consciência, da adesão voluntária aos princípios, valores e preceitos da doutrina. É decisão que representa maturidade e liberdade de escolha.

Tornar-se espírita não é um ato, mas sim um processo de conhecimento e autoconhecimento para a autotransformação. Desde a fase preliminar de aceitação e estudos, inicia-se a vivência e a prática, que continuam por toda a vida física e além dela, em futuras reencarnações.

O espírita nunca se considera “pronto”, pois sabe que o aprendizado é constante e progressivo. Nem se acha definitivamente “salvo”, porque compreende as leis que lhe regem o destino, consciente de que a “salvação” dependerá das escolhas que fizer e do caminho que trilhar. Sabe que é o construtor do próprio destino e o salvador de si mesmo, através dos esforços que empreende para a autoiluminação, ao viver em harmonia com as Divinas Leis.

No Espiritismo não existem rituais de iniciação para ninguém. Os médiuns, quando se lhes eclodem percepções parapsíquicas mais ostensivas, aprendem nos livros, bem como em cursos e atividades específicas, a controlar e educar a mediunidade para, posteriormente, utilizá-la de forma útil e nobre.

O espírita esclarecido respeita todas as manifestações religiosas ritualísticas ou iniciáticas. Sabe que tudo tem a sua razão de ser, e que os rituais possuem simbolismo de significado profundo, quando bem compreendido. Na Doutrina Espírita, porém, opta-se por não adotar nenhum tipo de formalismo nem ritual para o ingresso de novos adeptos. Tal postura faz parte dos princípios doutrinários, que orientam os aprendizes a que se despojem de quaisquer práticas desnecessárias ou prejudiciais à simplicidade e pureza de suas atividades.

Uma das características fundamentais do Espiritismo é a total receptividade a quem queira se tornar um adepto, bem como a abertura a quem deseje deixar de sê-lo, em busca de outros caminhos que lhe pareçam melhores. Não há, para o espírita, nenhum constrangimento nem obrigação formal; o único compromisso é o de prestar contas à própria consciência.

Há pessoas que professam diferentes religiões e que, mesmo assim, frequentam reuniões espíritas, assistem às palestras, buscam esclarecimentos, submetem-se a tratamentos de desobsessão ou leem livros da rica bibliografia que a doutrina oferece. O centro espírita acolhe todos esses frequentadores como irmãos, sem que haja nenhuma indagação quanto às suas preferências religiosas.

A liberdade que se encontra no Espiritismo não significa, de forma nenhuma, falta de princípios e de valores fundamentais. Ao contrário, quando se aprofunda no estudo e na consequente compreensão das leis da vida, o espírita se conscientiza da responsabilidade que adquire, procurando educar-se e disciplinar-se para melhor vivenciar o que aprende.

A Doutrina Espírita não precisa das pessoas, mas são muitas as pessoas que necessitam do Espiritismo. Quem quiser aceitar do Espiritismo somente o que lhe for mais compreensível ou coerente, tem plena liberdade de fazê-lo. Tais fatos, ao lado de outros, demonstram a origem transcendental da doutrina, bem como atestam a grandeza e solidez de seus princípios, os quais não dependem da aprovação de ninguém para que se manifestem em benefício da humanidade.

O princípio da conversão espiritual se dá igualmente entre os desencarnados. O espírito André Luiz, por exemplo, após desencarnar, experimentou vários anos de expiação em região umbralina, ou seja, de sofrimento e depuração. Despertou espiritualmente e passou a estudar e praticar o que aprendia nas diversas atividades de que participava, tendo se tornado grande colaborador na difusão de novos ensinamentos bem como de inúmeros aspectos da vida além da morte. Foi um espírito que se tornou espírita.

Quem entra em contato com o Espiritismo e decide seguir suas diretrizes é tocado em seu coração pela mensagem consoladora e em sua mente pela clareza e lógica dos seus princípios. Mais do que isso, existe um chamado da alma que, quando amadurecida e predisposta a novas conquistas espirituais, pressente que a prática espírita pode ser um caminho oportuno – dentre muitos outros igualmente válidos – para se vivenciar os princípios evangélicos com maior compreensão e proveito.

Tornar-se espírita não significa simplesmente frequentar algum centro, nem ser médium, nem somente conhecer a Doutrina, mas sobretudo reconhecer no Espiritismo valioso instrumento para iniciar nova etapa no caminho de ascensão, esclarecer-se, libertar-se e preencher a vida com um sentido maior, no rumo da felicidade.

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