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Estudar e aprender na escola da vida

Todos sabem da importância do estudo para o desenvolvimento intelectual, com a conquista de conhecimentos e aptidões que favorecem o crescimento pessoal e profissional. Grande ênfase é dada à escola no processo de aprendizagem, embora sejam os pais os primeiros e principais educadores, os quais desempenham papel fundamental na formação do caráter infantil.

Mais importante que o desenvolvimento do intelecto é o aperfeiçoamento do caráter. Para enfrentar adequadamente os desafios da existência é necessário que o mundo interior seja rico de conteúdos nobres e superiores. São os princípios espirituais, valores e vivências elevados que enobrecem o  caráter.

As crianças e os jovens precisam, além de professores instruídos, de instrutores que lhes revelem, a partir do próprio exemplo, como podem viver de modo a manifestar o que há de mais puro, verdadeiro, nobre e belo em si mesmos.

Dá-se excessivo destaque aos processos tradicionais de instrução escolar, esquecendo-se de outras dimensões do saber: conhecer-se a si mesmo, aprender a se relacionar pela convivência harmoniosa, desenvolver afeto, criatividade, intuição, sabedoria, amor...

Para a evolução espiritual equilibrada é essencial que se desenvolvam todos esses aspectos do ser. O estudo acadêmico, das escolas, constitui pequena parte do amplo espectro de lições que nos são oferecidas pela vida.

O aprendizado e a consequente aquisição de aptidões intelectuais tem seu valor relativo, que só será real quando associado a conquistas mais profundas, como as virtudes. Além do conteúdo intelectual, em geral tão valorizado, há a infinitamente mais rica sabedoria, pois esta provém dos níveis mais elevados e profundos do Espírito e ilumina todos os níveis da existência, inclusive a própria mente.

É preciso equilíbrio entre as várias atividades do ser para que não se dê excessiva ênfase ao intelecto, o qual pode se tornar instrumento de sofrimentos e desgraças, caso não se acompanhe das conquistas morais, éticas, espirituais. É importante aprender a aprender e, principalmente, aprender o que se deve aprender, ou seja, a importância do cultivo espiritual, do desenvolvimento das virtudes, do conhecimento das leis morais que regem a vida e da obediência às mesmas...

Além dos livros de papel e do imenso conteúdo virtual da atualidade, existem materiais didáticos riquíssimos que são comumente esquecidos. O livro da Natureza, que contém lições inumeráveis e preciosas, é material inesgotável para nos ensinar muitos aspectos da vida. Há estudos espirituais que se dedicam à observação dos seres humanos, animais, vegetais e minerais, das relações entre as criaturas, obtendo grande aprendizado, principalmente intuitivo, sobre as leis, processos e mecanismos da vida. Observando e estudando qualquer fenômeno natural podemos penetrar em diversos mistérios da vida, se soubermos “ler” as páginas do livro da Natureza. Para isso precisamos entrar em comunhão com ela, pois somente nesse nível de sensibilidade e consciência poderemos compreender muitas coisas que não se encontram nas bibliotecas, obter experiências enriquecedoras que não estão nas salas de aula e despertar para a sabedoria que nenhuma escola convencional pode oferecer.

O processo de aprender é contínuo e não tem fim, pois durante toda a vida, a cada experiência continuamos recebendo e assimilando novas lições. Qualquer situação pode significar valioso conteúdo a ser assimilado e experiência a ser incorporada, desde que considerada como tal.

Aprendemos com cada encontro, “desencontro”, relacionamento, situação, problema e desafio, desde que estejamos atentos e vigilantes para aproveitar as mensagens que tais oportunidades nos oferecem.

Os relacionamentos interpessoais funcionam como espelho de nós mesmos, através dos quais conseguimos nos observar e, desde que atentos, descobrir muito a nosso respeito. Em cada encontro e relação existe uma lição implícita, uma proposta da vida para que possamos dar um passo a mais na jornada evolutiva. Se tivermos “olhos de ver”, tudo poderá ser rico de conteúdo.

Objeto de estudo para todos os que aspiram à evolução espiritual é o próprio ser, através do autoconhecimento. Por mais que se diga a respeito do assunto, são poucos os que se dedicam ao estudo de si mesmos séria e profundamente, única forma de verdadeira transformação. Conhecer a si mesmo talvez seja uma das mais difíceis tarefas para se por em prática, pois precisamos nos despojar das máscaras de orgulho, vaidade e ilusões que há séculos vimos colecionando e utilizando. Para aprendermos sobre nós mesmos precisamos de real interesse, atenção, vigilância e espírito de observação, avaliando cada atitude e ação que temos como material de investigação.

O aprendizado a partir de si mesmo requer aguçada auto-observação. Conseguir se desmascarar e enxergar-se como se é, pelo autoexame sincero, requer honestidade e real intenção de superação.

Somos todos aprendizes, mesmo aqueles que, temporariamente, desempenham papéis de vilões ou criminosos. São irmãos que ainda não aprenderam as lições do amor e da fraternidade. Segundo conceitos elevados de muitos instrutores, dentre os quais Emmanuel, toda maldade é apenas ignorância. O indivíduo maldoso demonstra quão ignorante ainda é, e quanto ainda precisará aprender na escola da vida, através de reencarnações corretivas, até que, despertado pela dor, decida, por si mesmo, progredir pelo suave impulso do amor.

Estudar e aprender acerca dos próprios pensamentos e atitudes é desafio motivador para o crescimento espiritual, e requer autoenfrentamento de questões que nos mobilizam as mais diversas sensações, emoções e reações. Libertar-nos dos condicionamentos constitui desafio estimulante para nossa ascensão.

A vida, revelando-se como expressão da infinita Sabedoria Divina, oferece lições a todo momento. Muitas situações que nos desagradam ou contrariam são, se observadas com imparcialidade, experiências necessárias e úteis à nossa evolução. Ainda temos dificuldade de aceitar fatos e situações aparentemente desfavoráveis como material para nosso estudo e aprendizado sobre a vida e nós mesmos.

O que permite a expansão da consciência e do saber é principalmente a abertura do ser ao novo, ao inusitado, àquilo que desconhece, mergulhando, confiante e corajoso, cada vez mais nos mistérios da vida, com liberdade e pureza. Os maiores segredos que pode desvendar encontram-se dentro de si, aguardando seu estudo atento para serem revelados.

Quem desenvolve a intuição, pela purificação interior e pelo mergulho nos níveis mais profundos do ser – o Deus interior – tem acesso cada vez mais direto ao conhecimento dos segredos da vida e do Universo. Quando necessário, recorre aos inesgotáveis arquivos universais aos quais está conscientemente ligado. Descobre dentro de si mesmo a Divina Fonte do saber. Para estar conectado diretamente com essa biblioteca interior e usá-la com sabedoria, o ser precisa haver se despojado de qualquer resquício de egoísmo, orgulho ou vaidade, pois tal saber vem através do Espírito, ou Self, e não do ego.

Temos, portanto, dentro de nós, vasto campo de estudo e aprendizagem, ao mergulharmos até a essência que somos, no desafiador e fascinante processo do autodescobrimento para a autorrealização.

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