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Fanatismo Religioso

O fanatismo se caracteriza, dentre seus diversos significados, pelo excessivo apego a doutrinas, sistemas, instituições ou mesmo pessoas, aos quais seus partidários ou admiradores se vinculam de forma exaltada, apaixonada, e aos quais dedicam zelo excessivo, cego, podendo chegar a atitudes extremistas.

Quando ocorre na forma religiosa, mais danoso se torna, pois usa indevidamente referenciais supostamente sagrados para justificar atitudes e ações obscuras e prejudiciais aos seres e grupos humanos.

O fanatismo religioso é sempre muito perigoso, pois tem sido o responsável por fomentar guerras sangrentas, supressão de liberdades individuais e coletivas, arbitrariedades e desumanidades, muitas das quais ainda presentes no mundo contemporâneo.

Gerador de conflitos e separatismo, e reflexo de egocentrismo e orgulho, o fanatismo é ameaçador combustível capaz de provocar explosões sociais devastadoras. Pode contaminar e perverter qualquer expressão religiosa frágil, que não tenha princípios universalistas e essencialmente fraternos. Responde pela formação de grupos e instituições que se fecham à fraternidade e à convivência salutar com outros agrupamentos humanos, que passam a agredir direta ou indiretamente, de modo sutil ou ostensivo

Onde há fanatismo não existe amor nem sabedoria, muito menos verdadeira espiritualidade, mesmo que disfarçada sob rótulos religiosos.

O indivíduo preconceituoso revela estreiteza de pensamento, buscando limitar a vastidão do conhecimento universal à sua restrita e míope visão. O fanático mostra-se personalista e dogmático, pois estes dois adjetivos bem caracterizam a postura discriminatória e exclusivista que cultiva.

Qualquer tipo de extremismo é prejudicial à saúde coletiva, social. Mesmo um descrente pode ser fanático no seu materialismo, criticando e agredindo aqueles que professam alguma fé religiosa.

O fanatismo demonstra a fragilidade das crenças, pois quem é seguro das suas convicções não tenta impingi-las aos outros nem se sente ameaçado por ideias e referências diversas das suas. Revela também orgulho e arrogância, pois pretender que as suas sejam melhores do que as crenças dos outros é desconhecer e desrespeitar a diversidade cultural, social e religiosa que sempre existiu no mundo

O preconceito e a intransigência que levam ao fanatismo também têm suas raízes no medo. Quem precisa defender suas crenças atacando a fé alheia é porque se sente ameaçado em suas convicções. Agride para se defender de algo que lhe parece ameaçador. Só é ameaçado aquilo que é frágil ou inconsistente.

O fanatismo religioso faz com que se considere o diferente como adversário, opositor, ao não reconhecer a riqueza da alteridade e da diversidade de expressões da fé. O grande e único inimigo do fanático é ele mesmo, seus preconceitos e crenças exclusivistas e discriminatórias. O verdadeiro espiritualista reconhece e respeita qualquer forma de manifestação religiosa, escolhendo a que mais preencha suas necessidades e se lhe mostre o melhor instrumento de ação no bem.

A partir do momento em que há excessiva identificação com uma crença, passa-se a considerá-la separada das demais e, por insegurança, apega-se a ela. Com isso cria-se a divisão, o separatismo, a convicção de que o diferente é o errado e que aquilo a que se apegou é o correto. Tal forma de apego é “seguro”, protetor, e traz conforto, bem como um sentimento de poder. O fanatismo é espécie de autofascinação, gerando a ilusão de que sua crença ou doutrina é a única verdadeira ou a melhor para salvar os demais seres.

Tal sensação de segurança cria uma zona de conforto, a qual, se ameaçada, alimenta a reação, muitas vezes agressiva. Sair da zona de conforto requer esforço, autotransformação e reconhecimento das próprias imperfeições, além de uma corajosa busca para desvendar os mistérios da vida...

Admitir que temos preconceitos e que os mesmos, ainda que em pequeno grau, alimentam o fanatismo, é passo importante para despertarmos da ilusão da posse das verdades e nos prevenirmos de qualquer forma de discriminação. Trazemos no psiquismo profundo as sementes dos preconceitos, inclusive religiosos, herança do nosso passado de vivências fundamentalistas e dogmáticas. Cabe-nos vigiar para não oferecer solo fértil à germinação de tais sementes.

Existem dois extremos que revelam desequilíbrio em relação à fé. De um lado a indiferença, que não acredita em nada nem se importa com questões transcendentais. Do outro lado está o fanatismo, resultado de uma “fé” cega, arbitrária e impositiva, geradora de conflitos e separatismo. A sabedoria está justamente no equilíbrio entre a indiferença e o fanatismo, ou melhor, na fé que está além de ambos: na serenidade e paz do Espírito.

A identificação com o ego transitório reforça e fortalece preconceitos e favorece o fanatismo. O despertar da consciência espiritual traz clareza, favorecendo o sentido de fraternidade universal, diluindo até à extinção qualquer forma de ilusão separatista.

Para não alimentarmos posições extremistas nem excludentes precisamos relativizar e contextualizar os movimentos religiosos e seus conhecimentos. As religiões e filosofias espiritualistas sempre existiram nas mais diversas culturas e povos, em todas as épocas da humanidade. Os movimentos religiosos também obedecem às necessidades individuais e coletivas, bem como refletem os desejos e aspirações dos seus seguidores.

Quem reconhece a lei da evolução sabe que tudo o que existe está sujeito à sua ação. Tudo no Universo evolui, inclusive os sistemas e doutrinas religiosas. O que é mais avançado em determinada época e para certa parcela da humanidade não mais o será quando esta amadurecer intelectual e espiritualmente. Será, então, necessário que novos e mais abrangentes sistemas e modelos substituam o antigo. Tudo o que se manifesta no mundo fenomênico nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre, dando lugar a novas expressões, mais perfeitas e atuais, em todos os âmbitos da vida. Assim também com as religiões, muitas já desaparecidas, e outras em processo de envelhecimento, para um dia “renascerem” em outro corpo de doutrina, mais evoluído.

À medida que o ser evolui e desperta a consciência profunda, mais universalista seu conceito e vivência de espiritualidade, mais amplos seu amor e sabedoria e, portanto, mais compreensivo se mostra com opiniões contrárias às suas e com quaisquer limitações que perceba nas concepções alheias.

Acerca de uma proposta ou crença religiosa não há argumento melhor que o do exemplo. Se um indivíduo vive em paz e harmonia, individual e coletivamente; se está em processo de crescimento, realização e vida criativa, plena, a sua é a melhor religião possível, pelo menos para ele mesmo e até aquele momento.

A ausência de fanatismo não significa de forma alguma omissão nem conivência com aquilo que consideramos incorreto ou nocivo em matéria de espiritualidade. Temos o dever de esclarecer e orientar os irmãos, bem como de divulgar os conhecimentos que possuímos em relação às leis que regem a vida e seus fenômenos. O que não nos cabe é interferir nas crenças alheias nem intervir inoportunamente em matéria de fé e práticas religiosas. Se formos procurados por alguém que nos solicite esclarecimento e orientação, ou se a ocasião se mostrar propícia, podemos e devemos fazê-lo segundo nossas melhores possibilidades. O ser liberto do fanatismo não abdica de suas convicções nem das referências de verdade que conquistou; simplesmente não as impõe a ninguém. Revela seus conhecimentos sempre que oportunos e úteis, e os divulga de todas as formas possíveis, principalmente através dos próprios exemplos.

A verdadeira vida espiritual está livre de preconceitos ou extremismos, pois é permeada pelo amor e sabedoria do espírito, que conferem paz, harmonia e profundo respeito por tudo e por todos.

A compreensão de que todos os seres são manifestações da Vida Divina, e portanto possuem a mesma origem, natureza e destino, traz a consciência da fraternidade universal que liberta e felicita a todos que a vivenciam.

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