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Humildade

Virtude exaltada por instrutores e mestres, santos e sábios, a humildade continua misteriosa no seu real significado na vida humana.

Enquanto nossa consciência estiver focalizada no plano da matéria e da personalidade, não há como compreendermos verdadeiramente a humildade, pois essa virtude se manifesta a partir dos níveis profundos do Espírito. Somente após intenso trabalho de purificação interior é que a sentiremos brotar do nosso coração.

Quando cremos que estamos sendo humildes, frequentemente nos enganamos, dando-nos valor por algo que ainda não possuímos. Orgulho disfarçado de humildade. Muitas vezes assumimos a falsa postura de humildade perante os outros para sermos admirados e reconhecidos, mesmo de modo indireto ou sutil. Nesse mecanismo, iludimos a nós mesmos.

O primeiro passo para a humildade talvez seja admitirmos o quanto somos orgulhosos. Enxergando-nos com honestidade poderemos realizar as transformações necessárias em nosso caráter e manifestar a essência luminosa que somos.

A humildade não tem nenhuma relação – embora seja confundida – com subserviência, conivência ou covardia. Ao contrário, para ser humilde são necessárias grande coragem e fortaleza espiritual que sustentem o indivíduo na retidão, bem como diante de contrariedades e perdas a que seja submetido.

O ser humilde, reconhecendo a onipotência do Criador, sabe que as arbitrariedades humanas são fruto de sua ignorância e imaturidade espiritual, portanto não se importa de ser inferiorizado aos olhos do mundo nem de ser preterido nas escolhas e convencionalismos humanos. Da mesma forma não se afeta com elogios e louvores nem busca qualquer vantagem pessoal, por estar acima dos interesses personalistas.

Os mestres espirituais afirmam que a humildade é virtude dificilmente alcançada, pois para manifestá-la verdadeiramente o ser necessita ter ultrapassado as ilusões do orgulho e do egoísmo. Enquanto identificado com o ego não se pode ser humilde, pois a personalidade egoísta atribui-se qualidades e atributos que não possui, dando-se importância excessiva. À medida que amadurece espiritualmente e autodescobre-se, a alma vai-se despojando das camadas do ego, tornando-se cada vez mais pura. Em tal processo, o orgulho vai sendo dissolvido, revelando a transparência da alma, pela qual se irradia a luz divina.

A compreensão de que o Criador é a fonte de tudo o que existe, e de que somos simples canais, mais ou menos conscientes, por onde flui a vida divina e seus atributos, muito contribui para a consciência da humildade. Jesus, reconhecendo essa verdade, afirmou: “As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; e as obras, quem as executa é o Pai, que permanece em mim” (João, 14:10). O Mestre tinha perfeita consciência de que tudo o que realizava, o fazia como instrumento de Deus; por isso era verdadeiramente humilde. Por outro lado, afirmou confiante: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou” (João, 13:13).

Há grandeza na humildade e pequenez no orgulho. O humilde se agiganta à medida que se esvazia do próprio ego e de suas pequenezes. O orgulhoso se amesquinha ao se apegar às insignificâncias da própria personalidade.

Entre nós, criaturas finitas, e o Criador Infinito, existe uma distância infinita, o que nos dá a dimensão da nossa realidade como um “nada” diante do Todo. Por outro lado, nossa essência espiritual é idêntica à do Criador, o que nos confere natureza divina. Eis o paradoxo da vida, convidando-nos a buscar o equilíbrio e a integração entre a humildade pura e a consciência de seres divinos que somos.

Ser humilde é sentir a alegria de servir e amar a todos os seres como manifestações do Divino. O humilde serve aos seus irmãos como quem serve a Deus.

Jesus exemplificou a verdadeira humildade quando questionou: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus” (Lucas, 18:19). O Mestre também tinha plena consciência de sua natureza divina e da sua união com Deus: “Eu e o Pai somos um” (João, 10:30). “Crede-me que eu estou no Pai, e o Pai está em mim” (João, 14:11).Síntese da sua grandiosa humildade...

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