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Divina Presença

Em cada instante de prece,
Não importa qual a crença:
É alma que se enaltece
Com a Divina Presença.

Ensinamentos espirituais a que temos acesso, das mais diferentes escolas e tradições, nos falam de Deus, da Presença Divina, do Criador que rege o Universo através de Suas Leis.

A maioria dos seres humanos crê em Deus, cada um segundo as próprias concepções que tem do Criador. Mas o fato é que raros, raríssimos sentem em si mesmos a presença do Pai. Se, por um lado, a crença em Deus é inerente à nossa filiação divina, por outro lado essa mesma crença é carregada de condicionamentos religiosos ancestrais, que vivenciamos em existências anteriores. Ainda não temos uma relação direta, integral com o Criador.

A Presença Divina em nossas vidas não deve ser somente motivo de especulações mentais, embora a fé raciocinada seja de inestimável valor para a segurança íntima e a garantia da lucidez. Podemos ir além, ou seja, aquietar os desejos pessoais, pensamentos e emoções perturbadores, para que possamos sentir no âmago do ser a silenciosa presença, referida pelos mestres e santos da Humanidade.

No atual estágio evolutivo humano, poucos são os que comungam conscientemente com o Criador, pois a maioria de nós está ocupada e distraída com interesses egoístas e materialistas.

Mesmo que no início do caminho espiritual não sintamos nada de especial, se permanecermos na jornada de autoconhecimento e autotransformação, inevitavelmente chegaremos ao ponto de sentir algo transcendente em nossas vidas. Isso ocorre, ainda de forma parcial, quando oramos ou meditamos. Nesses momentos de interiorização e enlevo abrimos os canais internos por onde se manifesta o Criador às criaturas conscientes e receptivas.

O amor, quando manifestado, sempre revela algo divino, pois se Deus é a fonte infinita de amor, onde quer que este se manifeste, revela a presença da sua Origem. Quando conseguimos expressar o amor puro, ele flui através de nós, produzindo o “mágico” efeito de vitalizar e felicitar quem o oferece e recebe. É uma forma de Deus, “anonimamente”, se manifestar através de nós.

Deus, onipresente, permeia toda a Criação, está em cada partícula do Universo. O que ocorre é que cada ser percebe aspectos do divino de acordo com seu nível evolutivo ou de consciência. Quanto mais desperto e consciente, mais o ser sente a Divina Presença em tudo e todos, a começar de si mesmo.

Sentir a Divina Presença ainda é experiência para a minoria da Humanidade. Os seres que experimentaram direta e intensamente o Divino sempre afirmaram que não é possível descrever em palavras tal estado. É como tentar transmitir a um surdo as belezas de uma sinfonia ou a um cego as maravilhas das cores. As percepções sutis para perceber diretamente as dimensões e realidades mais puras da vida ainda são potenciais latentes na maioria de nós, mas podem ser desenvolvidas mediante a decisão, a vontade e a entrega ao caminho espiritual. Ao mesmo tempo precisamos concretizar e servir às energias superiores para que se expressem no mundo material. Esse empenho de trazer os valores espirituais para a matéria cria um fluxo através de nós, preenchendo-nos de energias cada vez mais sublimes.

A presença de Deus é uma realidade objetiva, mas senti-la é uma experiência subjetiva. Para quem não tem tal experiência, é como se Deus realmente não existisse. Fazendo uma analogia: para quem está num quarto escuro é como se o Sol não existisse. Se essa pessoa abrir a janela e subitamente vir a luz solar, parecer-lhe-á que o sol está aparecendo naquele momento, embora já estivesse lá. De modo análogo, fechamos as “janelas da alma”, por isso não temos sentido o brilho do Sol Divino. Quando abrimos, ainda que pequenas frestas nessas janelas, começamos a perceber a luz que há por trás delas, e temos a sensação de que algo novo e misterioso nos tocou. Na verdade O Criador sempre está presente; nós é que ainda não temos suficiente sensibilidade e consciência para senti-Lo. Por isso os caminhos espirituais nos oferecem meios de nos purificarmos. Quanto mais puros estivermos, mais fácil e naturalmente poderemos sentir a Presença Divina. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” – Jesus. (Mateus, 5:8).

O mestre yogui Paramahansa Yogananda afirmou que a função do yoga é transformar a concepção de Deus na percepção de Deus. Passar da especulação intelectual à experiência direta, pessoal, da comunhão com a Consciência Cósmica. Eis o objetivo mais elevado do caminho espiritual.

Nós, os que ainda não temos a experiência direta da Presença Divina, reconhecemos o Criador através das leis da Natureza. Essas leis revelam sabedoria além de qualquer concepção humana e causam assombro e reverência. Tal admiração é um prenúncio de percepções mais profundas que teremos quando nos entregarmos definitivamente aos Divinos Desígnios.

A percepção da Paternidade Divina se expressa naturalmente como fraternidade. Quem sente a presença de Deus, é espontaneamente fraterno, reconhecendo todos os seres como irmãos, servindo-os e amando-os.

“Eu e o Pai somos um” (João, 10:30). “Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim” (João, 14:11). Jesus sentia plenamente a presença do Criador, e o demonstrou por palavras e atos, lições sublimes e amor insuperável. O Mestre manifestou Sua comunhão divina além da capacidade humana de compreendê-la e assimilá-la.

A Doutrina Espírita, com a ênfase que dá à prática da caridade, oferece caminho seguro para que, através do amor em ação, se alcance a meta de autoiluminação – viver em comunhão com o Criador.

À medida que compreende as leis divinas e as cumpre de modo cada vez mais harmônico e espontâneo, a criatura passa a sentir os Desígnios Divinos operando em si mesma. Transforma a própria vida em manifestação cada vez mais “transparente” e perfeita dos atributos divinos. Quem conhece um ser altamente espiritualizado sente algo diferente ao se relacionar com ele, como se algo “mágico” o envolvesse. É justamente a consciência espiritual desperta que se irradia, beneficiando todos os que entrem em sintonia com ele.

Sentir a Presença Divina é a coisa mais importante que podemos almejar como seres conscientes, e trabalhar para sua conquista é o mais elevado mister a que devemos nos entregar na jornada terrena. Não precisamos esperar a vida após a morte para comungar com o Criador, pois, como filhos de Deus, trazemos na própria existência, aqui e agora, a Vida Divina. Nossa vida é a própria Presença Divina, sem a qual não existiríamos.

“...o Reino de Deus está dentro de vós” - Jesus. (Lucas, 17:21). Seguir a orientação do Mestre é procurar o divino em nosso interior, na essência que somos. Quanto mais nos aprofundarmos na jornada interior, mais descobriremos nossa natureza divina, isto é, a Divina Presença – a maior fonte de felicidade e meta suprema da vida.

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