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O Perdão

O perdão é tema presente nos ensinamentos espiritualistas que a humanidade tem recebido ao longo da jornada evolutiva.

Segundo os dicionários, perdão é a remissão de uma culpa, dívida ou pena. É o mecanismo pelo qual o ser supostamente prejudicado abre mão do direito de revidar ou de exigir compensações, e absolve o agressor ou ofensor.

Podemos refletir se compreendemos o ato de perdoar em seus aspectos mais profundos ou se agimos superficialmente, como geralmente ocorre, pela nossa imaturidade.

Quando afirmamos perdoar, em geral o fazemos de modo superficial, pois guardamos as memórias emocionais negativas da ofensa bem como dos seus personagens e fatos geradores. Ao nos depararmos novamente com a pessoa ou com alguma situação semelhante, inconscientemente evocamos tais memórias, as quais nos condicionam a sentir e reagir novamente, trazendo a necessidade de “perdoarmos” outra vez.

A simples afirmativa verbal não significa que houve o perdão real, pois para tal é essencial que se manifeste o amor. Somente quem ama de verdade é capaz de perdoar.

Quem perdoa não deixa de reconhecer a atitude infeliz do ser que erra, nem é conivente ou complacente com os equívocos alheios. Pode – e deve – haver posicionamento claro em relação ao que se fez de errado e, ao mesmo tempo, existir a atitude de perdão, isto é, de libertação emocional e mental dos fatos, bem como de conferir ao equivocado nova chance de acertar. Perdoar é também desapegar-se, confiando tudo à justiça e ao amor divinos.

Quem não perdoa guarda rancores e ressentimentos, mágoas e ódios, envenenando a própria vida com tóxicos psíquicos. Há seres que permanecem durante séculos, ou seja, várias reencarnações, presos a fatos dolorosos do passado de que se supõem vítimas, incapazes de esquecê-los ou superá-los. Em processo de auto-obsessão, algemam-se a recordações infelizes, esquecendo-se de que a vida se renova a cada momento. É o orgulho que impede a libertação e o esquecimento de todo o mal.

E quando somos nós os ofensores e necessitados do perdão alheio? Sabemos que de acordo com as leis que nos regem os destinos somos responsáveis pelo que fazemos, assumindo naturalmente as consequências do nosso agir. Mesmo que alguém nos perdoe por alguma falta que houvermos cometido, caberá a nós a tarefa da reparação, se não perante a própria pessoa, diante de outros seres ou em posteriores oportunidades, pois importa harmonizar-nos com a vida.

O maior beneficiado com o perdão é sempre aquele que desculpa, pois evita qualquer ligação de natureza inferior com o ofensor. O perdão é libertador para quem perdoa e possibilidade de libertação para quem é perdoado, desde que repare os equívocos e mude de atitude.

O perdão tem belos aspectos: acreditar no outro ser, dar um voto de confiança para que aquele que errou possa acertar da próxima vez. É exercício de fé na vida e reconhecimento da essência divina por trás da personalidade que cometeu o erro. É a plena confiança na lei da evolução, pela qual tudo e todos se transformam para melhor.

Para se perdoar integralmente é necessário que não exista a atitude de vitimização, pela qual o ego se considera alvo das maldades alheias. Também é preciso compreensão de que tudo o que nos ocorre faz parte do grandioso e insondável mecanismo evolutivo.

A assimilação de alguns ensinamentos espiritualistas favorece o exercício do perdão. Perdoar ainda não é espontâneo para a maioria de nós, por isso necessitamos dessas orientações. Ao tomarmos consciência das mesmas e aceitá-las, nos abrimos para que o perdão se realize. Dentre essas informações podemos citar:

  • A justiça divina se expressa através da lei do carma (causa e efeito): a maioria do que nos acontece é consequência do nosso passado, portanto o que recebemos – inclusive ofensas e prejuízos – é justo e ocorre segundo essa lei.

  • O que nos sucede obedece a desígnios superiores que ainda não compreendemos. Assim, precisamos exercitar a humildade de aprendizes que somos antes de nos julgarmos vítimas, seja do que for, e aproveitar situações aparentemente adversas para nos conhecer melhor.

  • Supostos danos podem ser avisos da vida disfarçados para nos beneficiar ou medidas necessárias à nossa corrigenda.

  • Situações que nos atingem e nos colocam na situação de “vítimas” podem ser testes e provações de que necessitamos para avançar espiritualmente.

  • O que nos ofende ou agride mostra claramente o quanto ainda somos vulneráveis, ou seja, o “tamanho” do nosso ego. Nesse nível, em que ainda nos ofendemos tanto, naturalmente precisamos “perdoar” muito.

  • Quando afirmamos haver perdoado, frequentemente estamos dando importância ao ego ou ao “eu” que perdoa, considerando-nos bons o bastante para perdoarmos – orgulho disfarçado de perdão.

  • Muitas supostas ofensas que nos atingem e que exigem nosso “perdão” são simples verdades ditas a nosso respeito que ferem nosso orgulho. Quando reconhecermos a parcela de verdade do que nos atinge, certamente haverá muito menos a nos incomodar e exigir nossas desculpas.

  • Na verdade quem se ofende é o ego, e não a essência espiritual que somos. Portanto, quanto mais estivermos espiritualizados e houvermos transcendido o egoísmo, mais fácil será perdoar.

Muitas virtudes – amor, sabedoria, desapego, humildade – são necessárias à prática do perdão, o qual é uma forma de caridade.

Aspecto fundamental e que nunca deve ser esquecido é o perdão a si mesmo. A maioria das criaturas carrega complexos de culpa, remorsos e autocondenações que paralisam a alma na jornada evolutiva. Somente perdoando-se é que se consegue a verdadeira reabilitação perante a própria consciência, permitindo-se o recomeço e a reparação necessários à paz interior. O autoperdão revela a fé em Deus dentro de nós, concedendo-nos sempre a oportunidade de acertarmos onde já erramos. Somente perdoa aos outros quem sabe perdoar-se. A própria reencarnação pode ser vista como um “perdão da vida”, a qual concede a todos os seres novas chances de reabilitação e progresso.

Os seres mais evoluídos, de consciência pura e livres da tirania do ego – espíritos sublimes – alcançam o nível de não se sentirem ofendidos, portanto não precisam mais perdoar. Não são atingidos por nenhuma forma de agressão ou ofensa; são completamente livres. A maioria dos seres humanos encontra-se, por enquanto, muito distante dessa realidade superior, portanto ainda temos longo caminho até que o perdão nem sequer seja necessário.

A necessidade de perdoar está nos ensinos que nos têm sido ofertados através das diversas escolas religiosas. Mas foi somente graças a Jesus que o perdão alcançou dimensão sublime, e a partir do Cristianismo nascente incorporou-se como prática entre os Seus discípulos. A Doutrina Espírita, atualizando os ensinamentos cristãos, enfatiza a importância do perdão na jornada redentora da alma.

Jesus nos deu o maior exemplo de perdão de que temos notícia. O Mestre não precisava perdoar, pois estava na condição sublime que mencionamos, porém o fez como exemplo para nós, que ainda carecemos da terapia do perdão. Jesus pediu ao Pai que perdoasse aos seus algozes e, após a ressurreição, voltou para junto dos discípulos que O haviam abandonado para reanimá-los e prepará-los para as futuras tarefas que teriam junto à comunidade cristã nascente.

O perdão tem imenso poder curativo e libertador, e muitas vezes é a única ou principal terapia para certos desajustes psíquicos. Perdoar é curar e curar-se.

No atual nível evolutivo humano, em que o ego ainda atua fortemente, necessitamos perdoar repetidamente, todas as vezes em que nos sentirmos atingidos por algo desagradável. Por isso, segundo o Mestre, perdoar setenta vezes sete vezes é a melhor alternativa e opção para nossa libertação e felicidade.

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