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Alegria

Todos experimentamos momentos de alegria, mesmo vivendo em mundo tão conturbado e cheio de desafios como a Terra. A busca pela satisfação é inata no ser humano, o qual procura sentir algum tipo de gratificação que o preencha.

Podemos buscar alegria e as condições que a propiciem nas diversas situações do cotidiano. Ainda que não sintamos pleno contentamento, conseguimos experimentar momentos de satisfação e bem-estar, se já aprendemos a nos alegrar com as coisas simples e puras. A vida, como manifestação divina, propicia inúmeras condições para que o ser humano se alegre durante a jornada terrena.

No atual estágio evolutivo, na maioria das vezes buscamos mais prazeres do que alegrias. As satisfações que sentimos, por mais intensas e agradáveis, são de curta duração e, mesmo se mais demoradas, sempre acabam. São geralmente seguidas de ansiedade para repeti-las, ou de frustração pelo seu fim. O que comumente se considera alegria são fugazes preenchimentos de desejos e anseios do ego, imediatistas e superficiais.

Experimentamos, no plano da personalidade, as mais diversas emoções e sensações, algumas das quais agradáveis; por isso mesmo procuramos repeti-las e perpetuá-las. Nenhuma experiência nesse nível tem permanência pois, pela sua própria natureza, ocorre na dimensão do efêmero, do transitório.

Muitas vezes observamos pessoas em risos e gargalhadas, supondo que estejam alegres. Isso porque não lhes conhecemos as angústias internas, as dores e sofrimentos camuflados pela máscara das aparências.

Há muita dor oculta e muitas lágrimas disfarçadas nos risos.

Os prazeres naturais e saudáveis não precisam ser evitados ou negados – como já ocorreu em propostas religiosas dogmáticas do passado – mas compreendidos e aceitos com gratidão e sabedoria. Podemos usufruir de todas as coisas que a vida nos propicia, desde que não haja a busca pelo prazer. É importante não haver dependência do que nos agrada nem a ilusão de que nos trará a alegria que buscamos.

O verdadeiro contentamento provém da alma e de condições internas e sutis, que independem das circunstâncias – diferente do prazer, que ocorre às custas de fatores mais densos que o propiciem e estimulem. Podemos dizer que a alegria é um prazer puro, não condicionado e livre de dependências. Quanto mais o ser evolui mais pura e sutil se torna sua satisfação.

O contentamento, como expressão da alma, pertence à nossa natureza interior, profunda. É natural que experimentemos alegria, a qual faz parte dos nossos atributos divinos – desde que estejamos (re)conectados com a essência espiritual que somos. A alegria flui abundante quando são dissolvidas as espessas camadas de orgulho, egoísmo e demais ilusões que têm obscurecido a sua manifestação.

Quando desobstruídos os canais internos pelo autoconhecimento, cultivo das virtudes, meditação e prece, passamos a sentir a alegria brotar do manancial divino que existe em nós.

O serviço espontâneo ao próximo e ao bem comum propicia a canalização dessa energia de alegria através de nós sem que a busquemos diretamente. Quem pensa no bem e faz o bem está abrindo caminhos para viver em alegria.

Até mesmo quando sujeito a sofrimentos de toda ordem o ser pode experimentar a genuína alegria. Paulo de Tarso, enfrentando dores, privações e provações, afirmou com a voz da alma: “transbordo de júbilo em meio às minhas tribulações”, exemplificando que mesmo diante das condições mais adversas, sentia e manifestava imenso contentamento.

A alegria traduz a satisfação da alma em comungar com o Criador, e se expressa no cumprimento das tarefas evolutivas. Quando em equilíbrio, harmonia e paz de consciência, simplesmente se é alegre, sem motivos exteriores ou aparentes.

As situações críticas pelas quais passamos – separações, enfermidades, dificuldades financeiras e afetivas, desilusões, morte de entes queridos – são desafios à manutenção da alegria interior, e convites da vida para que a busquemos quando a tristeza nos visitar.

Muitos passam a existência procurando satisfação nas ilusões e prazeres transitórios, em crescente frustração, por haverem se esquecido de procurá-la dentro de si mesmos.

Um dos critérios para saber se estamos no caminho da realização espiritual é verificarmos se sentimos alegria no que fazemos, nos relacionamentos, no trabalho, no cotidiano. Quem vive em harmonia com a vontade divina faz o que for necessário com grande satisfação interior.

Ainda que experimentemos angústias e aflições, dores e desafios, procuremos semear alegria à nossa volta, mesmo não a sentindo em plenitude, e nosso empenho de alegrar a vida alheia se reverterá, em futuro breve, em colheita de júbilos para nosso ser. Levar alegria ao próximo é exercício que a desperta dentro de nós.

O sorriso sincero é genuína manifestação de alegria interior e, quando ofertado espontaneamente, expande e irradia bem-estar e reconforto a quem o recebe bem como a quem o oferece. Sorrir é expressar alegria sem palavras.

A mensagem de Jesus é um convite à alegria plena e definitiva. O Mestre afirmou: “tenho dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa” (Jo 15:11). Consagrando nossas vidas ao Criador através do amor às criaturas nossas irmãs, conquistaremos a alegria plena e imperecível anunciada pelo Mestre.

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