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Dinheiro e Riquezas Materiais

O ser humano está tão habituado ao uso do dinheiro que geralmente não se dá conta das dimensões que tal uso atinge, nem das repercussões que alcança.

Há muito tempo o dinheiro tem sido usado como instrumento de permuta entre os homens, como símbolo de valores trocados por serviços, mercadorias e produtos diversos.

Com o predomínio do materialismo, reflexo social do egoísmo individual, tem sido dado ao dinheiro uso e funções que intrinsecamente não possui.

O dinheiro e as riquezas representam a energia monetária, a qual, como todas as demais energias, necessita de correta compreensão e uso adequado para cumprir os elevados fins para os quais existe.

A energia do dinheiro deveria fluir no organismo social como o sangue nos vasos sanguíneos humanos, irrigando com vida e progresso, desenvolvimento e bem-estar toda a sociedade. Ocorre que, pelo egoísmo milenar que trazemos, parte significativa dos recursos econômicos é bloqueada por acúmulos desnecessários e egoístas, impedindo ou atrapalhando o livre fluxo dessa energia.

Cada ser humano, ao reencarnar, devido à programação prévia ao seu ingresso no mundo físico, tem certa cota de energia monetária para usar e administrar, dependendo das experiências pelas quais precisa passar e das condições cármicas que traz como herança individual. Como em geral as criaturas ainda não dispõem de suficiente sabedoria e amor para administrar com desapego os valores monetários, estes passam a ser instrumento de usos indevidos e abusos, gerando desarmonias em todos os âmbitos da vida planetária.

Basta observarmos a enorme disparidade econômica existente entre os seres humanos, as comunidades e entre as nações para percebermos o quão distante estamos de um mundo justo e pacífico, pois negar o essencial a qualquer ser humano é também uma forma de violência.

Sabemos, por diversas instruções espirituais, que o igualitarismo é algo inexistente e impraticável, pois contraria as próprias leis da Natureza, que em todos os níveis se manifesta pela diversidade. Por outro lado, não podemos usar tais argumentos, legítimos, para justificarmos nosso egoísmo e indiferença diante das necessidades alheias.

As informações espíritas nos trazem esclarecimentos importantes sobre o papel do dinheiro e das riquezas no processo evolutivo, advertindo que é mais difícil e perigoso passar pela prova da riqueza, pois a abundância de recursos financeiros facilita o cometimento de ações indignas e o mergulho nas ilusões das facilidades materiais. O Espiritismo também orienta, em muitas obras, sobre os diversos modos como o dinheiro é utilizado e suas consequências cármicas, imediatas e a longo prazo.

Todos nós já fomos, ao longo de inúmeras encarnações, ricos e pobres, na alternância de posições socioeconômicas que caracterizam nosso atual estágio evolutivo, o qual proporciona experiências antagônicas de que ainda necessitamos para o aprendizado espiritual.

A energia monetária foi tão corrompida pelo egoísmo humano que o atual modelo econômico mundial não tem nenhuma possibilidade de subsistência. Como em todos os outros setores da vida planetária, profunda mudança se fará necessária para que as trocas humanas se baseiem no trabalho, cooperação, sabedoria e amor.

Vivemos atualmente fase de exacerbado materialismo, em que o ter vem substituindo o vazio do ser. A pessoa que decidiu pela sua emancipação espiritual e pelo cumprimento do seu papel no plano evolutivo procura usar os bens monetários de forma justa e desapegada.

Aproximamo-nos de um período mais crítico da transição planetária em que desaparecerá tudo o que foi construído pelo egoísmo humano, inclusive em relação ao dinheiro, com a derrocada do atual modelo que destaca o ser humano pelo que pode consumir e não o valoriza pelo espírito divino que é. Após a transição, na Terra regenerada, os maiores valores serão espirituais, na construção de um mundo mais justo e fraterno para todos. Não haverá mais miséria, pois os seres que se habilitarem a permanecer no planeta irão compartilhar alegremente os recursos segundo as necessidades de todos.

Não existe necessariamente relação entre pobreza e desapego, nem entre riqueza e apego. O indivíduo pode ser pobre e apegado ao dinheiro, sentindo inveja dos ricos e alimentando a ambição de enriquecer. Essa atitude revela que, apesar de pobre, ainda não se desapegou do desejo de possuir o que não tem. Outro ser pode ser rico e desapegado, não acumulando para si, mas usando os recursos financeiros ao seu dispor para a geração de empregos, progresso, desenvolvimento social e muitas outras formas de contribuição ao bem comum.

Como disse o filósofo Huberto Rohden, o problema não é possuir os bens materiais, mas ser possuído por eles. O sábio encontra o equilíbrio e distingue entre o necessário e o supérfluo, o essencial e o desejo de posse do ego.

Basta que nos lembremos de grandes seres que trouxeram contribuições significativas ao mundo e veremos que havia entre eles ricos e pobres, mas todos souberam usar seus talentos, acima dos bens materiais, para cumprirem suas tarefas. As riquezas que alguns deles possuíam foram usadas para melhor auxiliar no cumprimento de sua missão.

Para muitas pessoas o dinheiro preenche determinadas necessidades de realização que elas ainda não aprenderam a conquistar pelos caminhos internos, portanto são incapazes de sentir a alegria de doar e direcionar os bens materiais em benefício das necessidades alheias.

Quando Jesus afirmou a dificuldade do rico entrar no Reino dos Céus enfatizou a necessidade do desapego a todas as formas de riquezas materiais. Quando o ser alcança níveis elevados de consciência espiritual, sua realização não depende de bens exteriores, pois possui dentro de si mesmo as riquezas mais preciosas à sua felicidade.

Quem compreende as verdades espirituais e trilha o caminho do despojamento e da simplicidade conquista imensa liberdade interior, com os tesouros da plenitude e da paz. Procuremos refletir sobre o modo como usamos a energia do dinheiro e para que fins estamos canalizando os recursos monetários que estão temporariamente em nossas mãos.

Somos plenamente responsáveis pelo uso que fazemos de todos os recursos de que dispomos, inclusive os financeiros. Quando decidimos comprar algo, por exemplo, tenhamos consciência de sua real necessidade e das consequências dessa aquisição. Cada soma de dinheiro que passa pelas nossas mãos passa também pela nossa consciência, segundo leis naturais que nos regulam a vida. Com maior vigilância perceberemos que há muitas possibilidades de conduzirmos recursos para fins úteis, nobres e elevados, ao invés de alimentarmos parte do sistema econômico voltado a interesses corrompidos e obscuros.

Aquele que amadurece espiritualmente, colocando suas aspirações nos tesouros que a ferrugem não destrói, as traças não roem e o ladrão não rouba, aprecia o dinheiro como valioso instrumento para ser usado a serviço do bem comum. Sabe que é apenas depositário de tudo o que aparentemente possui, e que será tanto mais feliz quanto mais digno tenha sido o uso das riquezas colocadas pela Vida em suas mãos.

Existe uma lei natural, pela qual temos tudo aquilo que damos e devemos por tudo o que recebemos. Assim, quanto mais formos doadores e cooperadores da vida, oferecendo o melhor ao nosso alcance, inclusive recursos materiais, estaremos nos habilitando a mais elevados patamares de vida, recebendo bênçãos multiplicadas. Para quem vive em doação segundo as leis do amor, jamais faltará o necessário em todas as situações da vida. Como filhos de Deus, recebemos tudo o de que necessitamos. O que trouxe todas as privações e misérias ao mundo sempre foi o desvio que o homem provocou no fluxo dos recursos e riquezas, que são empréstimos divinos para serem compartilhados fraternalmente entre todos os Seus filhos.

Quando ocorre o despertar e amadurecimento espiritual para o sentido mais profundo da existência, a relação com a energia do dinheiro se transforma, passando do acúmulo e senso de posse para a cooperação, auxílio e doação, em saudável e construtivo fluxo renovador. Já não existe preocupação com ganhos materiais, pois o ser tem plena fé na Divina Providência, sabendo que, ao cumprir seu papel como instrumento da Vontade Suprema, nada lhe faltará, inclusive os recursos materiais necessários. Sabe que a verdadeira e inalienável riqueza é a conquista da felicidade. Enriquece-se de alegria ao se transformar em veículo de auxílio e bênçãos para todos.

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