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Convivência e Relacionamentos

Desde os primórdios do desenvolvimento humano, a vida comunitária tem sido parte integrante e significativa da existência do homem. Ser gregário por natureza, busca a convivência dos mais diversos modos e tem nas relações parte importante da vida, em mecanismo natural de interação e desenvolvimento individual e coletivo.

Há inúmeros requisitos para a boa convivência interpessoal: atenção, interesse, sinceridade, paciência, respeito, sintonia, entre outros.

Conviver bem e saudavelmente requer um estado interior de atenção e vigilância. A cada encontro precisamos conhecer ou reconhecer a pessoa com quem nos relacionamos. Com a atenta vigilância estabelecemos uma relação em nível mais elevado, espiritual, reconhecendo sutilezas e aspectos importantes que passariam despercebidos num contato superficial.

Durante a convivência interpessoal vários componentes psíquicos afloram, eclodem e se manifestam, como oportunidades para que as questões pendentes do passado sejam adequadamente resolvidas. Encontros muitas vezes são reencontros, em que antigos companheiros ou adversários voltam a conviver, como oportunidade concedida pela Vida para que se aprimorem pelo exercício da fraternidade.

Às vezes, quando procuramos nos afastar de alguém ou evitar sua companhia, podemos nos questionar sobre os reais motivos de tal atitude. Será que evitamos determinada pessoa por critério saudável de escolha ou porque aquele ser evoca sensações e sentimentos que nos incomodam e que não queremos enfrentar?

Conforme conceitos psicológicos e diversos ensinamentos espirituais, todo relacionamento funciona como um espelho, isto é, aquilo que nos desagrada nos outros representa conteúdos nossos não resolvidos, que negamos e projetamos nos outros. Com o trabalho de auto-observação e autoconhecimento vamos percebendo o que ainda precisamos trabalhar em nós mesmos e que é revelado na convivência. Se durante o convívio com alguém nos sentimos irritados, por exemplo, não é porque esse alguém nos irrita, mas porque nós nos irritamos com suas atitudes.

Muitas vezes precisamos conviver com pessoas que não escolheríamos para nossa companhia. Essas escolhas que a vida faz por nós são providenciais, pois nos colocam em situações que nos convidam a exercitar virtudes que ainda não possuímos.

Quando constrangidos pelas circunstâncias a conviver e nos relacionar com seres pelos quais não nutrimos simpatia, ao invés de lamentarmos, podemos aproveitar a lição para cultivar a aceitação e o respeito pelo diferente, ampliando nossa capacidade de inclusão e compreensão.

Todos possuem, em algum setor da vida, relacionamentos desafiadores, aqueles que testam e provam a paciência, compreensão, perdão, mas também a firmeza, assertividade e sinceridade no convívio diário. Como trazemos do passado conteúdos psíquicos desarmônicos construídos por nós mesmos ao longo das reencarnações, muitas vezes necessitamos da pedagogia da convivência-desafio para a superação e transformação dos relacionamentos bem como de nós mesmos. Aceitar tais relacionamentos não significa apenas a postura passiva e resignada, mas também o movimento ativo de autossuperação, autorrespeito e correção do rumo que se quer imprimir à interação, para que a mesma se cure e se converta em instrumento de harmonia e paz.

Qualquer relação, mesmo as mais superficiais, como as que travamos no cotidiano, possui significado intrínseco e valor para nossa evolução. Qualquer encontro pode ser ocasião de aprendizado e intercâmbio transformador.

Vivemos em época de transição em todos os setores da vida, inclusive nos relacionamentos, que passam por crises sem precedentes. Quando se encontram, as pessoas geralmente estão ansiosas, carentes de alguém que as ouça, mas sem a correspondente predisposição para também ouvirem. Tem havido grande distanciamento entre as pessoas, inclusive as que convivem no mesmo lar. Muitos parentes não conseguem sentar-se frente a frente, olhar-se nos olhos e dialogar construtivamente. Essa dificuldade reflete a crise existencial que vivemos.

Nos casos de conflitos interpessoais mais sérios, afastamentos temporários podem ser necessários, bem como ajuda profissional especializada.

Existem no ser humano, quanto à vida de relações, duas necessidades básicas, opostas e complementares: a convivência e a solitude. Se por um lado a convivência exercita inúmeros valores e virtudes, que só podem ser aprimorados no contato com os outros, também há a necessidade de períodos de solidão para recolhimento, meditação, reflexão e silêncio. Deve-se alternar harmonicamente esses períodos de extroversão e introversão, de convívio social, interpessoal e momentos de reclusão e quietude.

Relacionamentos interdimensionais - Temos contato, consciente ou não, com seres de outras dimensões, através das percepções mediúnicas, mais ou menos desenvolvidas, que todos possuímos. Convivemos com os espíritos desencarnados mesmo quando não o percebemos, em constante intercâmbio de ideias e sentimentos. Essa interação, natural e espontânea, como qualquer outra relação, deve passar pelos critérios do que seja saudável, construtivo e harmônico. As companhias espirituais que convivem conosco revelam a qualidade do nosso mundo íntimo, o qual se reflete também nas relações externas com os demais seres encarnados.

Reinos da Natureza- Existe interação não só entre diferentes seres humanos, mas entre esses e os demais reinos da Natureza. Interagimos com animais, vegetais e minerais, de forma diferente com cada reino. Nosso relacionamento com os seres dos diferentes reinos reflete as condições de equilíbrio ou desarmonia que nos caracterizam. Já foi dito que a forma de tratar os animais revela o caráter de um homem – acrescentamos que o mesmo vale em relação aos vegetais. Espera-se do ser humano espiritualizado e consciente um relacionamento amoroso e protetor com relação às formas de vida que carecem do nosso respeito e cuidado.

Além do contato com os outros, a convivência mais essencial e primeira é a que se tem consigo mesmo. Somente quando conseguimos conviver pacífica e harmoniosamente com nós mesmos é que podemos aprimorar a convivência interpessoal e entre os reinos da Natureza. A convivência com o nosso mundo interior merece sincera reflexão. Estamos sempre acompanhados de pensamentos, emoções, sonhos, ideais, imaginação, bem como medos, ambições, frustrações, ansiedade... Como nos relacionamos com todos esses companheiros interiores? Temos convivência saudável com cada um desses e outros aspectos de nós mesmos? Reconhecemos aqueles que necessitam de maior atenção, cuidado e transformação?

Estabelecemos relações com tudo e todos com quem temos contato. O mais importante é nosso estado de consciência e o modo como percebemos cada situação. Se estivermos atentos e vigilantes, cada encontro, relacionamento ou convivência será valiosa oportunidade de exercitarmos virtudes, adquirirmos experiência e enriquecermos a vida pela bênção da fraternidade.

À medida que o ser transcende as estreitas barreiras do ego e ruma para as dimensões sutis da alma, passa a nutrir relacionamentos de outra qualidade. Ao cultivar os valores do espírito vê em todos seus irmãos, de todos os reinos da Natureza, respeitando-os e amando-os, em saudável e puro intercâmbio de energias renovadoras.

Relacionar-se bem e conviver em paz, eis o desafio de todos que aspiramos a uma vida de harmonia e felicidade. Iniciemos essa jornada buscando nos encontrar com o divino dentro de nós, adquirindo assim condições de reconhecer o divino em tudo e todos, sublimando os vínculos humanos em amor incondicional. Exercitemo-nos a cada encontro até o definitivo autoencontro libertador.

Os ensinamentos espirituais em geral e a Doutrina Espírita em particular podem contribuir muito para a melhoria dos relacionamentos e da convivência, ao fornecer elementos educativos e esclarecedores, consolação e estímulo para a almejada fraternidade. Ao desvendar alguns dos enigmas da existência, o Espiritismo propõe nova e mais ampla visão da vida e de si mesmo, convidando a cada um de nós ao convívio salutar e harmonioso com tudo e com todos, a caminho da plenitude.

Relacionamento com Deus - O sentido mais profundo e essencial da religião é a “religação” da criatura com o Criador. Como diz Paramahansa Yogananda, “transformar as concepções de Deus na percepção dEle”, estabelecendo comunhão com o Supremo. Refletir com sinceridade como tem sido nossa relação com o Pai é experiência fundamental para o aprofundamento da união com o divino em nós. Quanto mais conscientes estivermos da presença do Criador em nossas vidas mais ricos e plenos serão todos os demais relacionamentos.

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