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Libertação dos Vícios

Todos conhecemos muito bem os vícios, pois fazem parte do cotidiano da grande maioria dos seres humanos, encarnados e desencarnados, vinculados à Terra. Tema complexo, apenas refletimos sobre alguns dos seus aspectos à luz da visão espiritualista. O mais importante na compreensão dos vícios é a possibilidade de nos libertarmos deles.

Vício é um hábito cultivado por determinado tempo e com intensidade suficiente para gerar condicionamento e dependência, tornando-se cada vez mais automático e inconsciente. Todo vício tem caráter escravizante e destrutivo, e gera comportamento compulsivo em relação ao seu objeto de fixação. Existe a perda gradual de controle e de liberdade sobre si mesmo.

De maneira imperceptível no início, vai se instalando e dominando a estrutura psíquica de quem lhe sofre a influência, até o ponto em que foge do controle voluntário, funcionando como uma segunda natureza do indivíduo.

Qualquer hábito, a partir do momento em que prejudica a liberdade e autonomia do ser, pode ser considerado de caráter vicioso.

Existem os vícios mais evidentes, como a dependência química, alcoólica, o tabagismo, as compulsões sexuais, por jogar, comer, comprar. Desconsiderados pelas pessoas em geral, mas nem por isso menos danosos, são os vícios mentais. Há seres completamente tomados por pensamentos obsessivos, atormentadores, dos quais não conseguem se livrar. Muitos, invigilantes, manifestam a maledicência, crítica, queixa, entre outros.

No caso das obsessões espirituais, são as tendências viciosas que abrem as brechas energéticas e permitem a sintonia inferior entre os seres, no doloroso processo obsessivo. Sempre existe no obsidiado alguma “tomada” - como dizem os Espíritos através do médium Divaldo Franco - onde os obsessores instalam os “plugues” para a interferência perturbadora. Essa “tomada” representa um desvio de comportamento ou falha de caráter do obsidiado que possibilita a conexão inferior entre os seres dos dois planos da vida.

Na atualidade planetária, ainda dominada por forças inferiores e obscuras, existem incontáveis apelos, através dos meios de comunicação, para estimular nas pessoas toda espécie de vícios. Os jogos infantis, por exemplo, disseminados por todo o mundo, quase sempre de conteúdo violento e alienante, são inspirados por forças obscuras e ardilosas que pretendem – e têm conseguido - dominar a mente humana desde a infância. Muitos pais, desatentos, invigilantes ou negligentes não percebem que seus filhos são pequenos viciados em jogos, tornando-se hipnotizados por obsessões coletivas que, mais tarde, tendem a tomar feições mais graves em outras áreas de suas vidas.

Um dos inúmeros problema de um hábito destrutivo é que, a partir de quando se instala, abre portas para que outros distúrbios de conduta, igualmente perniciosos, se apoderem da vida pessoal.

A educação espiritual, desde a infância, bem como o exemplo dos pais e familiares, exerce grande influência na conduta das crianças. Caso recebam conteúdo instrutivo adequado e suprimento afetivo equilibrado, terão menos chance de desenvolverem hábitos destrutivos.

A vida na Terra está tão contaminada por todas as espécies de vícios que temos dificuldade de enxergá-los em nós mesmos, pois ainda estamos iludidos pelo orgulho.

Se buscarmos a saúde integral, bem como a liberdade e felicidade, passaremos a observar atentamente nossos hábitos, tendências, atitudes e preferências, encontrando vários elementos a serem transformados e superados.

Não é tão simples nos livrarmos dos vícios, pois muitos deles são padrões que trazemos do passado longínquo, em repetidas encarnações, os quais “fincaram raízes” em nosso inconsciente. É preciso atenção, trabalho de conscientização, decisão firme, coragem e perseverança para o sucesso da transformação almejada. Precisamos de muita paciência com nós mesmos cada vez que reincidirmos nos erros, sabendo que estamos em longo processo de aperfeiçoamento, libertação e cura.

Os vícios preenchem certas lacunas psíquicas, necessidades afetivas não satisfeitas, e dão ilusório mas temporário alívio a estados de sofrimento anímico. Quando se decide abandonar algum hábito infeliz, sente-se, durante certo tempo, um vazio, que poderá ser preenchido com diferentes atividades gratificantes e prazeres saudáveis.

Ao cultivarmos as virtudes, ainda que incipientes, com empenho e perseverança, passamos a alimentar a parte luminosa do nosso psiquismo, o que possibilita novas perspectivas de vida, atitudes e condutas libertadoras. Focando a consciência nos aspectos superiores que já conseguimos manifestar, a energia vital é canalizada para fins elevados, criativos e saudáveis

Seguir um caminho de conscientização espiritual é decisão que agrega forças íntimas para o novo rumo que se imprime à vida. Com tal compromisso e entrega, a sabedoria interior se encarrega de canalizar para fins nobres as energias que até então alimentavam os vícios. O ser preenchido de valores, virtudes e atitudes elevados não cede espaço interior para a instalação de hábitos nocivos.

O autoconhecimento, buscado com sinceridade, é ferramenta essencial para enxergarmos a nós mesmos sem os véus do orgulho. Precisamos de honestidade interior para reconhecermos nossos vícios, desde os mais grosseiros até os mais sutis, eliminando-os pelo processo da nossa autoeducação integral.

Nosso ego, como intermediário entre o espírito e a matéria, possui incontáveis subterfúgios para negar os vícios ou justificá-los. Assumir nossas imperfeições perante nós mesmos é nos desmascarar, nos desnudar diante da consciência, única forma de integridade e verdadeira autotransformação.

Com o exercício da atenção plena perceberemos o quanto desconhecemos a nós mesmos, passando a nos descobrir como de fato estamos, em dinamismo transformador e purificador.

Quando somente lutamos contra um vício criamos e alimentamos situação de antagonismo, conflito, muitas vezes fortalecendo ainda mais o comportamento do qual queremos nos livrar. Além da luta, o cultivo e exercício das virtudes essenciais da alma nos trazem forças regenerativas e purificadoras. Dar mais atenção ao bem que estamos fazendo, às mínimas conquistas diárias, às superações e vitórias sobre aspectos indesejáveis de nós mesmos são estímulos simples mas valiosos na jornada libertadora.

Em muitos casos a ajuda profissional especializada faz-se imprescindível. Inúmeros recursos terapêuticos estão disponíveis e podem ser de grande auxílio na cura do paciente desejoso de libertação.

A Doutrina Espírita, como proposta libertadora, traz inúmeros subsídios valiosos para quem se disponha ao caminho de autotransformação. Seus ensinamentos, mensagens e práticas salutares são valiosos convites para traçarmos novo rumo à própria existência.

Os mestres e instrutores espirituais sempre enfatizaram nossa natureza real, divina, essencialmente pura, e os caminhos para nos identificarmos plenamente com essa verdade. Fomos criados para a liberdade e a plenitude. Os vícios são parte da natureza ilusória e transitória alimentada pelo ego, portanto não fazem parte de nossa essência. A centelha divina que somos é isenta de vícios. Descobri-la, reconhecê-la e revelá-la nos desafios diários da existência pode e deve ser experiência curativa e libertadora.

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