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A Arte

O ser humano, dotado de vários atributos e aptidões, busca se expressar de diversos modos, na vida de relações que estabelece como ser gregário que é.

Dentre as manifestações humanas tomemos a arte, em seus diversos aspectos, como objeto de reflexão. Qualquer que seja a forma de expressão artística, ela sempre revela um impulso criador, que procura meio de se expressar. A arte permite comunicação e comunhão através de formas não puramente racionais, ou seja, utiliza-se de linguagens e meios que transcendem a racionalidade. Seja por meio de poesia, pintura, escultura, música e tantas outras formas, o artista expressa algo de si mesmo e do universo de sua percepção, e principalmente algo do seu mundo subjetivo e imaginativo, provocando no seu público sensações e estados de espírito de caráter estético.

Qualquer artista ao produzir uma obra revela conteúdos de si mesmo, sua visão de mundo, seus valores e nível de consciência.

Os critérios de qualidade artística variam grandemente e dependem do contexto histórico e cultural, das influências a que determinado povo está sujeito, a condicionamentos e tradições, etc.

A arte tem o poder de influenciar o público que a aprecia. Desse modo, livros, pinturas, esculturas, poesias ou músicas são capazes de provocar sentimentos, sensações e até induzir as pessoas a determinadas atitudes. Esse poder que a arte possui necessita estar subordinado aos valores éticos para que o impulso criativo não se converta em instrumento de degradação, como vem ocorrendo na época atual em larga escala, entre artistas de todas as áreas.

O artista, ao expor os objetos de sua criação à apreciação pública, torna-se, perante a Vida, responsável por todos os efeitos que sua obra produza naqueles que venham a apreciá-la. Cada um é integralmente responsável por tudo o que cria.

Para ser expressa sem restrições a arte precisa de um amplo espaço de liberdade. O processo criativo se dá quando se é livre. Ocorre que, se essa liberdade não estiver conjugada a um espírito de equilíbrio e a valores elevados, pode transformar-se em instrumento dos vícios e inferioridades que o autor traga como herança de si mesmo. Somente quem conquistou harmonia e pureza interiores pode manifestá-las artisticamente como verdadeira beleza.

A arte, sob a visão espiritualista, é um canal por meio do qual o Divino se materializa expressando beleza, encanto e harmonia. Uma das funções da arte é a comunhão dos seres através da sensibilidade estética, possibilitando aos seus apreciadores apreender algo de sutil e transcendente que a obra de arte expresse. Há sempre mensagem, explícita e oculta, em qualquer obra de arte, a qual é passada a quem a aprecia.

Qualquer manifestação artística transmite, além do conteúdo estético, o teor vibratório de acordo com sua natureza e das forças que inspiraram sua criação.

A arte possui poder intrínseco, pois comunica, informa e transforma - ou deforma - através das mensagens que transmite. Somente um ser espiritualmente educado pode conduzir o impulso criativo a se expressar com dignidade e verdadeiro valor.

Avaliada sob a perspectiva da espiritualidade, a arte tem a função sagrada de contribuir para o aperfeiçoamento da humanidade através da beleza e equilíbrio das formas. O impulso criativo, presente em todos os seres humanos precisa, para cumprir suas funções evolutivas, servir de instrumento da alma que se expresse em harmonia através da matéria. O ser espiritualizado, quando cria, faz de seu corpo instrumento através do qual dá forma a percepções e sentimentos elevados e puros.

Sabemos, pela ótica espiritualista e evolutiva, que existem inúmeros níveis e tipos de manifestações artísticas, desde aquelas que refletem os desequilíbrios e conflitos dos seus autores - que na atualidade são maioria, a refletir a crise que vivemos pela degradação de valores - até as expressões de elevação e sublimidade dos grandes gênios da pintura, música, literatura, etc. Se buscamos o caminho espiritual e nos empenhamos em melhorar o mundo em que vivemos, aprendamos a valorizar a arte em sua pureza, procurando apreciar obras que nos enlevem e elevem, que transmitam paz e alegria. Que possamos escolher expressões artísticas diante das quais sintamos manifestações divinas materializadas pela magia da criação humana.

O artista é criador e intérprete de si mesmo e das energias nas quais se inspira. É também, e sempre, intermediário do Divino, pois o Criador cria através das criaturas.

A arte é faculdade anímica associada à mediunidade criativa. Todo artista é médium, consciente ou não. Como qualquer outra faculdade, a aptidão artística requer educação, não apenas na técnica, mas principalmente na essência, para que tenha o valor de trazer conteúdo e mensagem inspirados pela alma e inspiradores de beleza e alegria no mundo.

A educação artística com base na espiritualidade e nos valores éticos mais elevados pode favorecer o desenvolvimento da sensibilidade estética aliada à sensibilidade anímica, meta elevada que a educação e a arte podem alcançar.

O processo de criação é um dos atributos humanos, pois todos somos criaturas–criadoras, em processo de aperfeiçoamento até que um dia possamos manifestar com maior perfeição o que provém da essência da vida. Nesse nível seremos como espelhos límpidos a refletir na matéria as sublimes belezas do Espírito. Até lá procuremos embelezar nosso caráter e aprimorar nossas virtudes, como artistas de nós mesmos e artífices do próprio destino feliz.

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