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A Fé

Uma das virtudes da alma, a fé sempre foi considerada pelos instrutores espirituais essencial durante a caminhada humana. Base e sustentáculo de outras qualidades anímicas, tem papel fundamental nas conquistas evolutivas e no fortalecimento moral das criaturas. Como as demais virtudes, pode ser cultivada e desenvolvida.

Na sua longa jornada evolutiva, antes de amadurecer na experiência, o Espírito que ainda não desenvolveu significativamente as próprias convicções precisa de fortes referenciais externos para sustentar sua crença. Nesse período os movimentos religiosos de caráter mais dogmático e impositivo podem satisfazer sua necessidade de segurança. À medida que amadurece e cresce em consciência, cada vez mais busca no próprio interior as respostas às indagações da alma.

O ser espiritualmente imaturo, ao professar e cultivar determinada fé, ainda rudimentar e fragmentária, caso se desvie para a intransigência, pode enrijecer-se e cristalizar-se no fanatismo. Podemos conceber o fanatismo como a crença cega acompanhada de intolerância e até hostilidade para com seguidores de convicções diferentes. Tal postura sempre trouxe infelizes consequências à humanidade.

Embora usadas muitas vezes como sinônimos, existe marcada diferença entre crença e fé. A crença se baseia num ato de boa vontade de quem acredita em algo desconhecido ou não compreendido. A fé se fundamenta em certeza interna que não depende de crença, embora, nos seus primórdios, e durante certo período evolutivo seja necessário acreditar em algo que ainda não se experimentou. Somente quando plenamente desenvolvida é que a fé dispensa qualquer tipo de crença.

Entre o período em que se necessita crer e a fé pura, existe uma fase intermediária, de racionalidade, isto é, quando a convicção se baseia na razão e na aceitação de princípios que pareçam lógicos. Embora mais avançada que a crença, nesse nível ela ainda está no âmbito do ego, portanto passível de oscilações e sempre sujeita a questionamentos, dúvidas e confrontos. Em nível mais elevado, ou mais profundo, encontra-se a verdadeira fé, acima e além dos raciocínios da mente falível e questionadora. O ser que mergulha profundamente em si mesmo e silencia os sentidos e a mente pode perceber a realidade do Espírito e sentir-se Espírito. Essa vivência única consolida e sustenta a fé inabalável, que pode encarar face a face a razão.

A crença precede a fé. A razão questiona a fé. A fé dispensa a crença e está além da razão.

Quem crê ainda não tem verdadeira fé.

Quem tem fé não precisa crer, pois sabe, sente e vive a verdade.

A fé provém de um contato com a essência mais profunda do ser, o Self, segundo alguns instrutores, inclusive espíritas, ou Eu Superior das escolas esotéricas. Somente a partir desse nível profundo é que se pode alimentar e consolidar a fé verdadeira.

É da comunhão da alma com o Divino que vem a certeza inabalável, a força e a coragem insuperáveis para enfrentar os desafios da existência. Os que ainda não sentimos a fé em tal magnitude, precisamos despertá-la e cultivá-la mediante regulares períodos de reflexão, oração e meditação e depois exercitá-la e consolidá-la através de ações corretas e construtivas.

A fé verdadeira e profunda vai muito além das dimensões que a ciência e a filosofia abrangem, por isso mesmo não necessita ser provada nem sujeita a especulações infrutíferas. Resulta de uma vivência interior de certeza e paz que nenhum fato ou argumento externo pode mudar.

Há um ditado que afirma: “para quem tem fé nenhuma prova é necessária; para quem não a tem nenhuma prova é suficiente”.

Ninguém pode transmitir a fé a outra pessoa. Pode dar informações e sobretudo exemplos que façam com que o outro desperte o interesse e inicie sua jornada interior para depois sentir por si mesmo as realidades espirituais.

A fé reflete o nível de consciência espiritual, pois pertence aos domínios do invisível e do imponderável, da conexão com a Divina Fonte da vida.

No início do despertar da fé, é preciso ver para crer; depois de certo amadurecimento espiritual é necessário crer para ver, isto é, é preciso ter sabedoria e fé para enxergar os fenômenos e fatos sob a ótica do Espírito e da verdade.

A fé que transporta montanhas – o cultivo da fé acessa realidades superiores de onde provêm forças e energias de grande poder realizador e transformador. A fé nos ajuda a transmutar o carma negativo, dando-nos coragem e motivação para o amor e o serviço, capazes de mudar nosso destino para melhor. A fé não é uma virtude passiva, mas se manifesta através das obras que lhe atestam a veracidade, em dinamismo renovador.

O sentimento interno da fé se expressa como certeza, a qual tem o poder de se materializar e co-criar a realidade externa. Em todas as curas realizadas por Jesus Ele enfatizava a importância e o poder da fé daqueles que o procuravam.

Somente a fé traz a força necessária diante das adversidades do caminho e sustenta o ser em sua missão e nas tarefas na jornada evolutiva.

A fé sempre produz frutos e se manifesta em obras. Provém do contato silencioso e invisível da alma com o Criador, em experiência mística, e se reflete no serviço às criaturas, na ética da ação benéfica.

Qualquer um, independente de sua condição evolutiva ou da situação exterior, pode, se o quiser, através da viagem interior descobrir o tesouro da fé, pois, como filhos de Deus, todos podemos sentir-Lhe a presença.

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