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Vigilância

Embora no estado de vigília e aparentemente cientes do que estamos fazendo, diariamente agimos em estado de semi-consciência, de forma quase automática, ou reativa, sem a plena presença da alma em nosso agir. Essa falta de atenção permite a manutenção de condicionamentos e desequilíbrios que nos passam despercebidos.

Como trazemos a herança de nosso passado milenar, em que inúmeras vezes agimos de forma equivocada, na presente encarnação temos frequentemente a tendência de repetir os mesmos padrões de conduta desarmônica. Agindo desse modo permitimos que se manifestem conteúdos psíquicos de natureza inferior, ainda presentes em nossa estrutura anímica. Se estivermos alertas e lúcidos, tornamo-nos aptos a detectar a interferência de tais impulsos inferiores, de pensamentos e sentimentos desequilibrados, podendo, a tempo, corrigir o rumo de nossos atos. Para tanto é necessário exercício permanente de atenta auto-observação e autoconhecimento.

A vigilância requer um estado de plena atenção, de presença integral no aqui e agora. Se nossa mente estiver presa ao passado ou à ansiedade pelo futuro, estaremos desconectados do momento presente, portanto distraídos, desatentos.

Vigiai e orai, para não cairdes em tentação” – essa advertência do Mestre nos convida à reflexão. A vigilância deve ser acompanhada pela oração. A prece nos conecta a níveis espirituais profundos nos quais a consciência está mais desperta e de onde provêm forças renovadoras. Essa atitude, se permanentemente cultivada, nos impede de cairmos em tentação, ou seja, de deixarmos cair nosso padrão vibratório até nossa natureza inferior. Vigiando e orando nos protegemos de nós mesmos, dos aspectos menos elevados que ainda trazemos como herança do passado, dos quais ainda não nos despojamos.

O sofrimento e o prazer podem ser grandes desafios à nossa capacidade de vigiar. Quando seduzidos pelo prazer ou feridos pela dor, geralmente desviamos a atenção, distraindo-nos com o que nos agrada ou nos afligindo diante do sofrimento. Manter a vigilância e não cair em tentação em tais situações requer grande equilíbrio e harmonia interior.

Sabemos, graças a inúmeros ensinamentos espirituais, que o principal “inimigo” a ser vigiado esconde-se dentro de nós, é nossa natureza inferior, que representa e manifesta os interesses do ego. Com a clareza e a lucidez decorrentes da consciência espiritual, permanecemos atentos aos próprios impulsos e ações. Em nível mais profundo, quando a alma se despoja das máscaras e defesas, em corajosa atitude de autoconhecimento, passamos a vigiar principalmente as intenções por trás do agir, os motivos mais íntimos que movem as ações. É um exercício de honestidade e integridade conosco mesmos, pois o ego é muito hábil para encontrar justificativas e explicações escapistas. Precisamos estar igualmente atentos ao puritanismo, pois é fácil vigiar as atitudes alheias para encobrir as próprias faltas.

Vigilância afetiva – Nas relações interpessoais diariamente manifestamos uma infinidade de emoções, impulsos, reações e desejos que nem sempre passam pelo crivo da consciência. A atenção aos estados emocionais predispõe-nos a maior equilíbrio e harmonia.

 Vigilância mental – nossos pensamentos têm imenso poder criador, precisamos ter clareza do que pensamos. A mente tem uma tendência de funcionar sem interrupção, com sequências intermináveis de pensamentos, muitas vezes desconexos e caóticos. Isso traz confusão, produz desgaste das energias mentais e dificulta a clareza das ideias, além de gerar perturbações à psicosfera em que se vive. Portanto, aquietemos e vigiemos a mente.

Vigilância verbal – precisamos estar sempre atentos ao conteúdo do que dizemos e à forma de dizê-lo, bem como às intenções por trás das palavras.

Vigilância das atitudes e ações – antes de agirmos criamos forças a partir do que idealizamos e desejamos. Portanto, mesmo se já elaboramos pensamentos ou desejos inferiores, ainda assim temos a possibilidade de evitar sua materialização. Com isso evitamos expressar o que seja inadequado e fazemos exercício de autoeducação. Com a prática da vigilância, da auto-observação e do autoconhecimento, tornamo-nos capazes de perceber os aspectos mais obscuros de nós mesmos que necessitam ser curados.

Vivendo em um mundo de relações, é inevitável que sejamos alvo de inúmeras influências externas. Precisamos manter-nos vigilantes e firmes em nossos propósitos superiores para que não nos sujeitemos a interferências negativas das quais muitas vezes não nos damos conta. São tantos estímulos e informações que nos chegam a todo instante, principalmente pelos modernos meios de comunicação, que permanecer atento se torna desafio cada vez maior.

A vigilância deve ser cultivada em estado de alerta, mas ao mesmo tempo com serenidade e equilíbrio. A pretexto de sermos vigilantes não devemos ser extremistas nem inflexíveis censores de nós mesmos. Durante a jornada evolutiva, ainda precisaremos nos aceitar e perdoar muitas vezes pelos nossos erros, caso contrário estaremos nos iludindo, sendo desonestos ou moralistas, tentando encobrir ou fugir de aspectos inferiores que ainda nos acompanham.

Nossa mente ainda é instável, portanto nossas virtudes são ainda muito oscilantes. Há momentos em que estamos plenamente atentos e lúcidos; em outros, agimos como se não soubéssemos o que estamos fazendo. Somente quando estabilizarmos a consciência em nível mais elevado é que viveremos mais constantemente em segurança íntima e paz.

O estado de plena atenção tem grande poder transformador e realizador, pois nos conecta plenamente ao aqui e agora, dotando-nos de forças para a ação imediata de acordo com cada necessidade. Esse estado de prontidão nos torna perceptivos a vários níveis de necessidade em que podemos auxiliar efetivamente.

Por meio da vigilância constante nos habilitamos a discernir com clareza o que devemos realizar, tornando-nos cooperadores fiéis do Plano Divino para a nossa e a vida planetária.

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