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Fenômenos e Milagres

A vida, nos seus inúmeros planos de manifestação, expressa-se através dos fenômenos, cada um refletindo os seres e coisas que os produzem.

O ser humano, desde os primórdios da civilização, pela sua natural busca de conhecimento, tem procurado explicações para todas as classes de fenômenos. A Ciência, com o método experimental, trata dos fatos com sua rigorosa metodologia e objetividade. A Filosofia, através do pensamento e do questionamento, procura compreender os aspectos diversos da vida com racionalidade e reflexão. A Religião, representada por inúmeros movimentos espiritualistas, tem se baseado em revelações de natureza transcendental ou misteriosa, dando origem a crenças, tradições e cultos.

A Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto, científico, filosófico e religioso, possui uma visão abrangente, sistêmica, holística a respeito de qualquer fenômeno ou ocorrência. Procura (re)conciliar os três aspectos citados, que foram separados ao longo da história por uma visão fragmentária e por interesses humanos menos dignos.

Segundo os postulados da Codificação, tudo está sujeito aos Desígnios Divinos, os quais se manifestam através das leis da natureza, muitas das quais ainda desconhecidas. Não existe, conforme ensina o Espiritismo, nada que seja sobrenatural nem milagroso.

Quando ocorre algo que escapa à compreensão humana, mesmo em se considerando os últimos avanços científicos, sabemos que é natural, embora as leis que regem tal fenômeno e os mecanismos nele envolvidos ainda sejam ignorados pelo homem em seu atual estágio evolutivo.

Ao longo do processo de crescimento espiritual, com o desenvolvimento do conhecimento e da sabedoria o ser humano amplia sua capacidade de percepção, passando a compreender cada vez mais os fenômenos e fatos da vida. A mente ampliada abrange fenômenos e níveis cada vez mais sutis, inclusive os espirituais, concebendo-os como naturais. Essa consciência, menos materializada e menos materialista, aceita com serenidade os fenômenos transcendentes da vida, desmistificando-os. 

Os fenômenos que fogem à compreensão humana às vezes são acompanhados de revelações de natureza transcendente ou informação mediúnica, seja qual for o movimento religioso envolvido. Ocorre primeiro o fenômeno, em seguida as revelações ou explicações espirituais, depois as reflexões filosóficas em torno do mesmo e, por fim - quando possível - alguma compreensão científica. Ocorre que, para grande parte dos fenômenos “sobrenaturais” ou “milagrosos” nenhuma possibilidade existe de explicação científica, pois a ciência terrestre ainda é demasiadamente materialista, e somente com o saber de outras dimensões da vida e suas respectivas leis é que se poderá compreender  e explicar determinados fatos misteriosos. Caso contrário, ficar-se-á sempre entre a incredulidade da ciência e a crendice da “fé“ cega.

Os referenciais de normalidade e naturalidade podem ser contextualizados em relação ao tempo e estado de consciência. Para um indígena que vive isolado em sua tribo, um aparelho moderno de informática ou comunicação pode ser considerado sobrenatural, pois foge à sua capacidade de compreensão e à sua realidade cultural. Da mesma forma, algo que seria considerado imaginário, miraculoso ou impossível há séculos, hoje faz parte de nosso cotidiano e é, portanto, normal.

Precisamos ter clareza de que, mesmo com as informações oferecidas pela Doutrina Espírita e por outras fontes espiritualistas, ainda há inúmeros mistérios que estamos muito longe de conhecer. Seria muita pretensão crermos que, pelos incipientes conhecimentos possíveis neste planeta conseguiríamos desvendar os enigmas da Vida. Estamos no início do processo de espiritualização, e muitas informações e revelações do Alto só nos serão acessíveis quando estivermos mais purificados, moralmente curados e com suficiente amor e sabedoria para usá-las exclusivamente para o bem. Portanto, não nos preocupemos com fenômenos, sejam  misteriosos, paranormais ou mediúnicos, mas ocupemo-nos com o “milagre” de nossa própria iluminação interior.

Jesus, durante Sua missão terrena, deparou-se com enfermidades congênitas, crônicas, degenerativas e psíquicas, e curou-as todas, instantaneamente, inclusive restabeleceu a visão a portadores de cegueira congênita. A medicina convencional atualmente não tem qualquer possibilidade de explicar o mecanismo de tais curas nem consegue sucesso terapêutico para várias doenças curadas pelo Sublime Médico há mais de dois mil anos. Nesse sentido, o Mestre realizou verdadeiros “milagres”, pois demonstrou um poder extraordinário, desconhecido e inigualado.

Inúmeros outros seres, altamente espiritualizados, devotados ao bem, têm realizado prodígios que até hoje desafiam a compreensão humana. Variados fenômenos de natureza mediúnica, sejam de cura, materialização, transporte, aparições, mensagens, favoreceram a superação da limitação materialista de muitos que ainda precisam “ver para crer”.

A compreensão de que tudo está sujeito às Leis Naturais não deve tirar o encanto pelas belezas da vida, numa visão fria que é própria de alguns cientistas. Maravilhar-se com os mais singelos “milagres” da natureza e da vida é sinal de grande sensibilidade e sabedoria.

Os esclarecimentos que o Espiritismo nos traz quanto à naturalidade do que ocorre não devem tirar nossa admiração e reverência por fatos e feitos extraordinários. Pelo contrário, devem nos estimular, não a curiosidade superficial, mas a busca de autossuperação para atingirmos pureza e elevação tais que, um dia, possamos também realizar o prodígio de espalhar o Bem e a Luz, pelo “milagre” do Amor.

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