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Liberdade

Pode ser difícil definir a liberdade, mas é fácil sentir a sua falta. Anseio natural, todos os seres a buscam. Inúmeros fatores, circunstâncias e situações podem cercear a liberdade externa, enquanto crenças, decisões, ideias e atitudes interferem na liberdade interior.

Os animais quando agem são motivados pelos instintos, que representam uma força superior e coletiva que rege o comportamento de todos os indivíduos da espécie. Portanto, pode-se dizer que os animais têm restrita liberdade de ação, embora haja um pequeno espectro de manifestação individualizada que caracteriza a personalidade, as escolhas e atitudes peculiares a cada um, principalmente entre os animais domesticados.

Ao chegar ao nível humano, pelos longos caminhos da evolução, o ser desperta para a consciência de si mesmo, e a faixa de liberdade se amplia, permitindo opções muito mais abrangentes. O ser humano vem exercitando há milênios o livre-arbítrio e colhendo os resultados de suas escolhas ao longo de sua jornada no reino hominal.

Ocorre que, pelo predomínio e hipertrofia do ego em detrimento da essência espiritual, muitas “escolhas” são na verdade frutos de desejos e impulsos resultantes de padrões de experiências anteriores, desta ou de pregressas encarnações. Assim, quando tomamos determinada decisão ou atitude, podemos nos questionar se estamos sendo realmente livres para escolher ou induzidos por condicionamentos, nossos ou do meio em que vivemos.

Aqueles que se dizem livres porque fazem o que querem muitas vezes fazem o que desejam, e o desejo, como expressão da personalidade, não é indício de liberdade mas de impulsos egoísticos.

Livre-arbítrio não é o mesmo que liberdade nem libertação. Pelo livre-arbítrio pode-se tomar decisões que levem ao comprometimento da liberdade. Alguém que decide prejudicar outrem está construindo para si mesmo as algemas invisíveis da autocondenação, das quais só se livrará após a reparação total dos erros. Somente guiado pelo amor e sabedoria pode o livre-arbítrio contribuir para a liberdade.

A liberdade pode ser aparente ou real. Há seres que andam livres pelas ruas, no entanto trazem a consciência atormentada por remorsos devidos a graves equívocos cometidos perante as Soberanas Leis. Se ainda não têm a consciência dos próprios erros, o tempo e o sofrimento se encarregarão de despertá-los, caso não optem primeiro pelo amor, sempre a melhor alternativa. Outros, presos em leitos por enfermidades ou encarcerados pelas aparentes injustiças do mundo, podem estar em processo final de libertação, permanecendo em paz.

A verdadeira liberdade só ocorre quando se tem plena autonomia sobre a própria vida. Dependências, automatismos, apegos, preconceitos, vícios, tudo isso cerceia a liberdade e prende o ser a padrões condicionados e restritivos e aos sofrimentos decorrentes de tais condutas. Muitas vezes agimos crentes de que estamos sendo livres, quando na verdade estamos sendo conduzidos por fatores alheios à nossa consciência.

Influências espirituais obsessivas constituem grande empecilho à liberdade, individual e coletiva. As obsessões influenciam de tal forma o psiquismo humano que os homens muitas vezes são induzidos a comportamentos que não teriam em sã consciência. Os processos obsessivos ocorrem muito mais frequentemente do que se imagina, constituindo na atualidade verdadeira pandemia que acomete milhões de pessoas desavisadas. Por isso a desobsessão é terapia especializada de inestimável valor na libertação das consciências.

Contas cármicas negativas e ainda não devidamente regularizadas restringem a liberdade humana. Enquanto não reparar o passado e se harmonizar com a própria e a Consciência Cósmica não se pode dar determinados passos adiante no caminho evolutivo. O melhor roteiro para compensar carmas negativos é o serviço permanente no bem.

A conquista da liberdade plena pressupõe uma jornada autolibertadora, que é alcançada com paciência, sabedoria e amor.

O caminho da espiritualização é essencialmente libertador, pois espiritualizar-se significa libertar-se da ignorância e do erro. Mas o simples conhecimento das leis espirituais não assegura a liberdade; apenas se torna livre quem vive em harmonia com os Desígnios Divinos. Para que isso ocorra se faz necessário um mergulho profundo no autoconhecimento, reconhecendo em si tudo o que precisa ser harmonizado e purificado. A oração e a meditação constituem instrumentos essenciais para purificar a mente e potencializar o processo. É um encontro com a verdade de nós mesmos, a verdade de nos transformarmos profundamente para sermos plenamente livres.

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