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Inimigos

Evocando as sublimes palavras do Mestre Jesus, que recomendou amar os nossos inimigos e orar por quem nos persegue, podemos, sem qualquer pretensão, procurar reconhecer o significado e o papel que os inimigos têm em nossa vida, para que, compreendendo um pouco melhor, passemos a amá-los e orar por eles.

Por paradoxal que pareça, nossos supostos inimigos podem se converter, por uma visão mais ampla e uma atitude renovada, em aliados e instrumentos de aprimoramento que a Suprema Sabedoria utiliza em nosso favor, no estágio evolutivo em que nos encontramos. Ainda precisamos de aparentes adversários para confrontar nosso ego e para consolidarmos virtudes que trazemos ainda incipientes.

O inimigo diz verdades sobre nós que nossos amigos não teriam coragem de falar.

O adversário testa os valores que achamos que já possuímos.

O oponente, através da resistência sistemática, impulsiona-nos à corrigenda e superação de nós mesmos, sem a qual permaneceríamos estagnados.

O agressor é dominado pelas forças trevosas, requisitando sem o saber nossa permanência na serenidade e na paz.

O crítico é fiscal gratuito aferindo nossas conquistas morais.

O caluniador é aquele que verifica nossa real capacidade de perdoar.

O parente agressivo é nossa vítima do passado, em nova roupagem corporal, a nos pedir reparação através de paciência e amor.

Ainda há inúmeras outras formas sob as quais se apresentam os adversários externos...

Se alguém se considera nosso inimigo, é fundamental que não sejamos inimigos de ninguém. Cada um tem o direito de se posicionar como quiser, portanto, se vivenciamos um caminho espiritual nos é facultada a possibilidade de considerarmos todos irmãos.

Existe, porém, uma outra categoria de inimigo, muito mais sutil e perigosa, que são nossos adversários interiores. Não se apresentam ostensivamente mas nos perseguem e prejudicam. São o nosso lado sombrio, aspectos obscuros da nossa personalidade ainda não superados: impulsos instintivos, vícios, ilusões, paixões...

Temos a tendência de prestar muita atenção aos inimigos exteriores e de tomar precauções contra os mesmos, mas quase sempre permanecemos invigilantes quanto à ação dos adversários interiores. Às vezes somos excessivamente cautelosos quanto aos irmãos que se posicionam contrariamente a nós, mas negligentes com os verdadeiros opositores da nossa paz, que sempre se encontram dentro de nós mesmos.

É mais fácil e cômodo atribuir a outrem o papel de inimigo do que reconhecer nossos aspectos inferiores que precisam ser superados.

Quando se busca verdadeiramente a autotransformação, tanto os adversários externos quanto os interiores passam a ser compreendidos, integrados à totalidade do nosso ser e assim gradualmente desaparece sua influência negativa. Se reconhecermos que tudo na vida tem um propósito superior, educativo e evolutivo, compreenderemos que os aspectos contraditórios e dualistas da existência são processos pedagógicos da Vida para despertarmos a consciência espiritual. Assim, o suposto adversário passa a ser considerado um irmão que a vida coloca à nossa frente como espelho do que precisamos transformar em nós mesmos. A partir dessa perspectiva, a nossa atitude reativa ou escapista dá lugar ao acolhimento, aceitação e sincera disposição de mudança interior.

Nossos reais e verdadeiros inimigos sempre estão dentro de nós, e só seremos verdadeiramente vencedores quando, reconhecendo tal realidade, empenharmo-nos pela mudança de padrão de conduta. A partir de então, nossos componentes psíquicos deixarão de ser adversários internos e passarão a ser integrantes de um todo harmônico. Para isso é fundamental que haja sinceridade e honestidade conosco mesmos. Só esse verdadeiro encontro interior tem poder de libertação. Livres, seremos unos com a Divindade e sua Criação, onde só existe amor e paz entre todos os seres. Nesse nível não precisaremos mais orar nem perdoar os inimigos, pois eles não mais existirão...

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