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Nascer de Novo

O conceito de nascer de novo pode, como muitos outros temas, ser visto sob vários aspectos, diferentes concepções de uma verdade essencial. Há vários níveis de interpretação de uma revelação espiritual, todos válidos e complementares.

A reencarnação é lei universal e, como tal, ao lado de muitas outras, expressa os mecanismos da evolução, o amor e a justiça divinos. Reencarnar é começar novo ciclo vital no plano físico, com possibilidades de reexperimentar a vida e reconstruir o destino. Ocorre que o simples fato de voltar ao cenário do mundo material não significa necessariamente transformação essencial, pois pode-se reencarnar e permanecer nos padrões de consciência e conduta semelhantes aos de vivências anteriores. A reencarnação é um impulso evolutivo que pode ser mais ou menos aproveitado pelo ser. A Doutrina Espírita, através das revelações mediúnicas, mostra inúmeros casos de seres que se cristalizaram em padrões ilusórios e viciosos durante séculos, em reencarnações semiconscientes. O que faz diferença não é a reencarnação, mas o que se faz durante a nova oportunidade no corpo.

Existe outro renascimento que não é a reencarnação, mas um nascimento no espírito, isto é, uma nova vida espiritual na mesma vida física, pela transformação da alma. Esse renascer depende do despertar da consciência, do amadurecimento psíquico e da decisão que se toma de abandonar definitivamente o “homem velho”, e com a pureza e inocência de uma criança iniciar nova vida entregue aos Divinos Desígnios.

É como despertar de um sono e perceber toda a realidade que até então permanecia fora do espectro da consciência. Seres considerados santos passaram por essa profunda transformação em sua realidade íntima, iniciando jornada iluminativa como se fossem novas criaturas.

Quando ocorre essa “morte e renascimento” na mesma encarnação, a transformação interior pode ser tamanha que aqueles que convivem com tal ser não compreendem o fenômeno, chegando a crer que houve algum transtorno psíquico, possessão demoníaca ou insanidade. É uma “loucura dos santos”, os quais, a partir do despertar espiritual, passam a levar uma vida totalmente fora dos padrões antigos, “normais”.

Citemos dois exemplos de criaturas que, ao contato com a Verdade, morreram para suas personalidades anteriores e nasceram de novo, na mesma encarnação. O primeiro é Paulo de Tarso: o antigo perseguidor dos cristãos, no inesquecível encontro com Jesus, às portas de Damasco, sentiu de tal maneira a presença e a luz do Meste que, a partir de então, transformou-se radicalmente, passando a ser o mais ardoroso divulgador da mensagem cristã. A segunda é Maria de Magdala: a mulher iludida pelos prazeres, beleza e riquezas em que vivia, quando se viu penetrada na alma pelo olhar amoroso de Jesus que a convidou para segui-lo, despertou em si um amor que até então lhe era desconhecido. Foi a morte dos aspectos obscuros do seu ego, o despojamento de tudo o que possuía de ilusório e o nascimento para a vida de caridadosa dedicação aos sofredores que marcou o restante da sua existência física.

Se não temos ainda condições de transformação tão profunda como dos exemplos citados, podemos ao menos considerar cada dia como oportunidade de um pequeno renascimento. O médium Chico Xavier, quando questionado sobre a preparação para a morte, disse que todas as noites, quando dormimos, estamos de certa forma morrendo, e que, ao despertar, nascemos para um novo dia, com todas as possibilidades de uma nova vida.

Para podermos nascer de novo precisamos primeiro morrer, isto é, morrer para a personalidade em tudo que ela representa de inferior: orgulho, egoísmo, vaidade e seus derivados. Todos nós já estamos reencarnados, já nascemos de novo na carne; o que nos falta é nascer de novo no espírito, nascer para uma nova vida, a vida plena anunciada pelo Mestre.

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