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Além das Aparências

Imersos no mundo material, todos vivemos mais ou menos sujeitos às circunstâncias e condições do plano físico.

Possuindo corpos densos, é natural nos utilizemos dos mesmos como instrumentos de manifestação e relações.

Devido à própria condição de encarnados, bem como a condicionamentos, atavismos e memórias ancestrais, tendemos a considerar seres e coisas conforme se nos apresentam em sua aparência externa.

Quando reconhecemos algo ou alguém, o fazemos primeiramente pelos seus aspectos exteriores e caracteres objetivos. Nossos sentidos de reconhecimento estão ligados a um arquivo multimilenar de experiências e vivências pregressas, as quais influenciam o reconhecimento atual dos fatos.

Não percebemos as coisas como são, mas como somos capazes de percebê-las.

De modo geral, a humanidade não espiritualizada ainda tem uma visão superficial e imediatista de fatos e coisas.

No planeta em que vivemos ainda predomina, nos mais diversos setores, o culto da aparência, em que vultosas somas são destinadas a todo tipo de produtos e serviços que promovem a vaidade, muitas vezes às custas da própria saúde humana e de outras áreas privadas de recursos.

Também se estimula tudo o que diz respeito ao ego, como fama, posição social, poder econômico, político – aspectos da personalidade que podem aprisionar a alma – parte integrante do materialismo que ainda predomina no homem e no mundo.

Cultiva-se muito o exterior quando o interior está incompleto e carente de valores.

Em todas as mídias, particularmente na propaganda, a aparência de coisas e seres é supervalorizada, criando “necessidades” e estimulando o consumismo ao homem, desviando-o dos objetivos essenciais da encarnação.

Apegar-se ao ilusório é seguramente um caminho para futuras decepções, quando o fluir inexorável do tempo se encarregar de desmascarar tudo e todos, após a desencarnação ou mesmo antes dela. A fim de evitar desilusões de tal natureza, essencial é que se cuide primeiro do que é espiritual, portanto real.

Não que se deixe de contemplar e admirar o que é belo, pois a harmonia das formas é uma das manifestações divinas da Criação na matéria. A arte, por exemplo, que expressa formosura e equilíbrio, é expressão materializada do Espírito criador. É necessário ter lucidez para admirar o belo sem se apegar ao efêmero. Assim, pode-se cultivar livremente o senso estético, a contemplação das formas e a sensibilidade.

À medida que se desperta para níveis mais transcendentes do espírito e seus valores, passa-se a reconhecer outras realidades, que vão muito além do que se nota pelos sentidos físicos. A criatura com a alma sensibilizada percebe elementos sutis nos objetos e nos seres. É capaz de sentir, pela acuidade interna, o padrão vibratório de um local, bem como de quem ali vive ou viveu.

Os sábios e alguns médiuns podem reconhecer as características e os atributos interiores de alguém sem se fixarem no seu aspecto externo. O médium Chico Xavier, por exemplo, ao se encontrar com uma pessoa desconhecida, mesmo que aparentemente bonita, percebia com clareza seus aspectos obscuros e mesmo suas intenções mais ocultas. Dotado dessa sensibilidade extraordinária, ele sempre a usou a serviço do amor, para esclarecer, consolar e estimular virtudes nos irmãos que o procuravam.

O conhecimento espiritual, com seus fundamentos na realidade transcendente da vida, traz uma nova visão dos fenômenos, ao demonstrar que tudo o que existe nos planos materiais é transitório, efêmero, portanto de valor relativo, limitado no tempo e no espaço. Esses ensinamentos são instrumentos de educação e aprimoramento da percepção da realidade, que na maioria das vezes está distorcida pela visão limitada e materialista que ainda domina e escraviza grande parte dos seres humanos.

Perceber além das aparências é saber que somos Espírito e estamos transitoriamente na matéria; que existem Leis espirituais soberanas a nos guiar; que as coisas mais importantes da vida como amor, paz, felicidade, não dependem de circunstâncias exteriores, mas de realidades internas.

Viver além das aparências sem se afastar do mundo das formas; reconhecer na existência material a manifestação da essência imaterial; enxergar no efêmero a presença do Eterno; estar na matéria, admirar-lhe as belezas e ainda assim permanecer livre: eis um desafio–convite para uma vida integrada e plena.

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