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Religiões e Espiritismo

Através de sua longa jornada evolutiva a humanidade, em todas as culturas e povos, sempre buscou o contato com o Divino, com a dimensão transcendente da vida, com seu aspecto sagrado. Desde as mais remotas civilizações de que temos notícia, o aspecto religioso sempre acompanhou o ser humano em sua busca de sentido existencial.

Em todas as épocas e lugares surgiram seres extraordinários, sábios, místicos e santos, mestres e profetas... A espiritualidade superior, através dos Guias da humanidade, sempre se fez presente no plano físico através de seus representantes que reencarnam em missão, para auxiliar o avanço moral dos povos.

Há na história inúmeros registros desses seres que têm descido ao mundo material para espiritualizar o homem. É o incessante intercâmbio entre “o céu e a terra” que sempre ocorreu, como instrumento e mecanismo evolutivo.

Muitos desses homens notáveis deixaram um legado espiritual de tal magnitude que, posteriormente, seus seguidores se reuniram em número crescente e, gradativamente, surgiram as religiões organizadas. Outros, apesar de sua grandeza espiritual, passaram despercebidos do povo em geral, quando portadores de ensinamentos muito elevados, destinados a poucos, em meio a multidões ainda primitivas e sem condições de lhes assimilar os ensinos.

Em diversos pontos do planeta, em cada período da humanidade, com suas características, peculiaridades e nível evolutivo, surgiam e se manifestavam instrutores espirituais, que vinham trazer mensagens de elevação, despertar a fé e trazer determinadas revelações de caráter transcendente. Essas revelações sempre obedeciam à programação e às orientações dos Mentores planetários que os enviavam. Há referências a santos, profetas e seres “divinos” em todos os povos e nas mais diferentes épocas.

Após o desencarne dos mestres, as instituições formadas por seus seguidores mais próximos geralmente compilava e guardava, de modo mais ou menos ordenado e fiel, seus ensinamentos, dando origem a um corpo doutrinário, que passava a ser seguido como referência aos que professassem aquela religião.

Devido ao predomínio da natureza humana egoísta, têm sido adulterados muitos ensinamentos ofertados pelo mundo espiritual superior. Ao longo da história, o legado dos mestres, relativamente puro na sua essência inicial, foi sendo corrompido, adulterado, muitas vezes acrescido de um arcabouço de cerimônias, rituais, crendices e superstições, além de interpretações que lhe desfiguraram a pureza original. Por outro lado, fruto do empenho de missionários sinceros, também foram feitos estudos e atualizações, trazendo novas luzes e esclarecimentos à doutrina original, enriquecendo-a. Parece paradoxal, mas nas organizações religiosas, como em outros processos da vida, ocorrem movimentos cíclicos, com avanços e retrocessos, erros e acertos, deturpações e correções, nos quais as religiões se comportam de forma orgânica, dinâmica, em fluxo de transformações incessantes, embora lentas aos efêmeros olhos humanos. Existem ainda aquelas que se cristalizaram em seu dogmatismo e fanatismo, não permitindo avanços nem novas “leituras” de seu conteúdo.

Com relação ao Cristianismo, como em outras religiões, houve gradativamente a perda da pureza original dos ensinamentos, quando se infiltraram interesses contrários à verdade e ao amor, e se incorporaram dogmas, rituais, interpretações e práticas que não serviam senão a interesses indignos.

Nesse contexto, após dezoito séculos de manifestação cristã, surgiu a Doutrina Espírita para restabelecer a pureza original dos ensinos do Mestre, ao mesmo tempo atualizar e complementar aquilo que não poderia ser revelado no época de Jesus. O advento do Espiritismo, como Terceira Revelação, ampliou os horizontes espirituais da humanidade, ao resgatar a essência do Cristianismo e, ao mesmo tempo, despojá-lo de tudo que lhe foi indevidamente acrescentado.

A Doutrina Espírita, desde seus fundamentos, nunca teve a pretensão de ser a detentora exclusiva da Verdade, o que seria demonstração de ignorância diante da Infinita Sabedoria Divina e de todas as outras religiões do mundo. As revelações espirituais são gradativas, segundo a evolução de cada planeta, de sua humanidade e seus povos. Assim, muitas filosofias e religiões, sobretudo orientais, conhecem profundamente, há séculos, as leis da reencarnação, de causa e efeito, a comunicabilidade entre os diferentes planos da vida, e muitas outras revelações que só agora começam a ser estudados pelos espíritas. Ocorre que, para o homem contemporâneo, o Espiritismo representa maravilhosa síntese e atualização dos conhecimentos das tradições religiosas e espirituais, com explicações claras, lógicas e didáticas das questões mais relevantes da existência e do destino. E, o mais importante: tudo isso sob a Luz do Evangelho do Cristo, que é a essência mais pura já revelada ao mundo.

Destituída de rituais simbólicos e de cultos exteriores ou personalistas, a Doutrina convida o adepto a um mergulho profundo em si mesmo, para que desvele o “reino de Deus” que nele habita, manifestando-o essencialmente pelas virtudes que irradia, pelo seu exemplo e conduta.

Um dos aspectos revolucionários do Espiritismo é que, pela primeira vez na história, a mediunidade foi, desde Allan Kardec, estudada, sistematizada, educada e orientada para ser instrumento de serviço incondicional no bem, através da fraternidade pura exercida dentro e fora da Casa espírita. No Espiritismo, a mediunidade atingiu a maturidade, pelos sólidos fundamentos doutrinários, e ganhou dignidade, pelo uso exclusivo a serviço do Amor e da Sabedoria, e pelo exemplo de conduta de médiuns como Chico Xavier e tantos outros.

A Doutrina Espírita resgatou e aprofundou a conexão entre Ciência, Filosofia e Religião, pois tem como fundamento esse tríplice aspecto e possui uma visão holística e integrada da vida. Com esses e tantos outros atributos, tem sido, ao lado de outros caminhos espirituais, instrumento do Alto para elevação, instrução e serviço em benefício do ser humano e do Planeta, sob a égide do Cristo.

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