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Intuição

Sabemos que o ser humano vive simultaneamente em diversos estados vibratórios e dimensões que coexistem e se interpenetram, um oceano de ondas e frequências. No plano físico temos as ações materiais, as emoções e os sentimentos no plano emocional, e os pensamentos no plano mental, os quais, em seu conjunto, constituem nossa personalidade, ou ego.

Assim, enquanto encarnados sempre temos uma quota de energia do plano físico para agir, materializar e concretizar; quando sentimos ou expressamos emoções, vibramos predominantemente no plano emocional ou astral; enquanto pensamos, lemos ou realizamos atividade intelectual, focalizamos a consciência no plano mental.

Além desses planos mais densos, existem realidades ou estados de consciência mais sutis, que vão além da personalidade, e pertencem à individualidade, ao ser profundo ou Self – segundo Joanna de Ângelis (Espírito), pelo médium Divaldo Franco. É nesses níveis profundos que reside nossa essência espiritual permanente, imortal, e de onde provêm os recursos para nossa vida material.

Uma das manifestações desses níveis sutis é a intuição, que é a percepção da verdade e sabedoria não mediados pelo pensamento, isto é, provindos diretamente da alma. A intuição revela a sabedoria do Espírito, a qual todos trazemos como herança pela nossa filiação divina. Cabe a cada um de nós desenvolvê-la, para que ela guie nossos passos, decisões e ações corretamente.

Quando agimos movidos por emoções ou pensamentos, ainda estamos na dimensão do ego ou personalidade, portanto passíveis de muitos erros e enganos, pois trazemos nossa herança cármica, condicionamentos, ilusões e vícios atuais e do passado reencarnatório. Portanto, embora úteis instrumentos, não devemos confiar somente em nosso sentir e pensar, mas buscar mais profundamente a fonte segura de inspiração a nos guiar com acerto.

Quando temos uma intuição, nós a sentimos como uma verdade interior, uma voz interna, uma certeza profunda, uma revelação, algo que nos avisa, esclarece, desperta ou ilumina, sem a interferência mental. A intuição se manifesta instantaneamente, pois provém de dimensão que transcende nossa concepção de tempo-espaço. Os seres mais evoluídos e com maior nível de consciência têm uma intuição desenvolvida, a qual os orienta, guia e ilumina. Não precisam mais buscar fora as respostas que brotam de dentro do seu ser mais profundo. Essas almas já ouvem a Sabedoria Divina dentro de si mesmas, falando-lhes silenciosamente.

Todos temos um caminho a percorrer no desenvolvimento da intuição, através da oração, da vigilância, do silêncio interior e da meditação. Quando defrontados por problemas, crises ou desafios que não sabemos como resolver, a intuição pode nos orientar. Para isso, precisamos aquietar os sentimentos e emoções desordenados (desejos, ansiedade, medo, preocupações, irritação, impaciência, etc.), silenciar a mente em desarmonia (questionamentos, críticas, julgamentos, dúvidas...) e orar, aguardando silenciosa e pacientemente a orientação da voz interior. Precisamos ter fé para acessar a intuição, pois é pelos sentidos da alma que ela se manifesta. No início podemos ficar em dúvida se aquilo que percebemos é realmente a intuição. Portanto, a paciência também é necessária, pois, à medida que exercitamos a percepção intuitiva, ela se manifesta cada vez com mais clareza.

Quando desejamos ansiosamente alguma coisa, cremos que devemos buscá-la e lutamos por consegui-la, mas, às vezes, algo dentro de nós (a intuição) nos diz que aquilo que almejamos não é o melhor, que não é necessário nem útil à nossa real felicidade, ou que não é o momento apropriado para obtê-lo. Essa sutil voz interior é uma manifestação da Divina Sabedoria em nossa própria consciência. Se dermos ouvido a ela, se ficarmos atentos e vigilantes, saberemos qual decisão tomar, segundo o que seja o melhor, de acordo com os Divinos Desígnios. O ego (personalidade) escolhe segundo seus desejos, paixões, ilusões e condicionamentos, enquanto o Self ou Espírito elege o melhor de forma intuitiva e sábia. A intuição sempre nos orienta para o que é correto, bom, útil e verdadeiro. Ela se manifesta como a quota de verdade que nossa consciência pode assimilar e transformar em ação benéfica.

Quando decidimos ouvir a voz da consciência e seguir a intuição, nossos guias e benfeitores espirituais encontram espaço para nos sugerir ideias felizes e nos auxiliar nas ações no bem.

Em nossa longa jornada evolutiva atingimos, como humanidade, o período de amadurecimento espiritual em que tomamos consciência cada vez maior da faculdade intuitiva como qualidade inerente à alma, a serviço da Vida.

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