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Pedi e se vos dará – O Mecanismo Mediúnico

Vivemos num oceano fluídico, tais como peixes num aquário.
Vicejamos no fluido cósmico universal, matriz geradora de todo elemento material do Universo.
Absorvemos e transmitimos fluidos continuamente, com as cores de nossos pensamentos, emoções e atitudes, desta forma nos sintonizamos em faixa vibratória específica.

Asseverou o instrutor Áulus que “A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos.” i , destarte, de acordo com a qualidade de nossos pensamentos nos situamos junto àqueles que nos são afins, sejam encarnados ou desencarnados, numa troca incessante, compactuando tal realidade com a assertiva crística “Onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração”.

Poderá se questionar doravante, o que a mediunidade tem a ver com nossa vivência diária e com nossa rotina cotidiana? E respondemos: Tudo!

O egrégio codificador teve a oportunidade de perguntar aos imortais, na questão 459: Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? E obteve a seguinte resposta esclarecedora: “— Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente são eles que vos dirigem.” Se frequentemente nos dirigem é porque somos frequentemente influenciados por um ou outro pensamento, caracterizando assim nossa função diuturna de intermediários entre os dois planos da vida. Sim somos médiuns sempre, não apenas no reduto dos núcleos religiosos, haja vista a mediunidade não ser apanágio da Doutrina Espírita, mas uma ferramenta universal. Não somos médiuns deste ou daquele segmento, mas médiuns da “Vida”.

Laborando nos dois planos, nos tornamos cidadãos do mundo espiritual, através de nosso perispírito e do mundo físico através de nosso arcabouço de carne.

Quando o Mestre, no Sermão do monte, nos diz: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.” ii , nos orienta, inelutavelmente, que basta evocarmos, para nos conectarmos e nos sintonizarmos.

A prece, funciona como um telefone, que funcionando subjetivamente e em muitos casos, objetivamente, alcança seu objetivo de acordo com a força de seu emissor.

Nossa comunicação com o Pai amoroso se dá através desse mecanismo ainda intrincado, e muito mal utilizado.

Ainda absortos em formalismos e crendices nababescas, dão mais valor à forma que ao fundo, pressupondo o suposto crente, que se fará ouvido pela Divindade sublime, por posição genuflexória que por força mental.

Asseverou o Mestre: “São sepulcros caiados por fora e cheios de ossos e podridão por dentro” iii.

Até quando nossas rogativas serão superficiais ao ponto de nada valerem?

Até quando seremos crentes de ocasião, nos apropriando da Divindade e abandonando, como se isso fosse possível, num jogo de interesses, esquecidos que Deus é acima de tudo nosso Pai amantíssimo, criador incriado e que apesar de nosso petitório infindável sempre chegar a ele, pois Ele é o Alpha e o Ômega, o Princípio e o Fim, inevitavelmente, chegará àqueles que estiveram na mesma faixa vibratória, e como reação será respondido, não raramente por seres que não são nossos preferidos mas merecidos.

Tal sintonia, dependendo da nossa faixa mental, pode acarretar benesses indescritíveis, bem como obsessões e associações terríveis.

Se a mente permanece na base todos os fenômenos, não tem como improvisar o estado de bem estar e a paz de espírito tão necessários a manutenção do médium em Cristo.

Viver às expensas das próprias forças criativas, de forma irresponsável e reprochável, não possibilita atmosfera plausível para o mediunato.

Quando Kardec sinaliza em “O Livro dos Médiuns”, que existem médiuns “improdutivos”, nós poderíamos complementar que são também medíocres, mas não que assim foram criados por Deus, pois o Pai não criaria nada que não pudesse dar fruto algum, mas que por vontade própria ou falta dela, optam pela negligência e pusilanimidade, que obstruem o canal mediúnico, laborando por anos a fio nos núcleos espiritistas, sem produzirem fenômeno algum. Desta forma tempo precioso é perdido e a reencarnação que poderia ser de trabalho e regeneração, transforma-se em uma nau sem capitão, perdida e sem objetivo.

De nada adianta, nos mecanismos da fisiologia da mediunidade, viver de qualquer maneira, desrespeitando o próprio corpo através de vícios e excessos de todos os matizes, e postando a mente em situações constrangedoras, diuturnamente, e, no dia aprazado para o intercâmbio mediúnico, tentar se equilibrar, abstendo-se de vícios e excessos, tentando ainda manter a mente em lugar distante de onde se encontra habitualmente.

O equilíbrio psíquico responsável pela mediunidade fluída e educada, não se improvisa, mas é um trabalho infindável e precioso de décadas a fio, sem interrupção, pois se a mediunidade concreta e sem dificuldades é fruto de repetição, erros e acertos, até a perfeição relativa, a mediunidade educada e sublime, é oriunda da transformação interior e da modificação dos hábitos viciosos e danosos. "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”, ensinou o codificador iluminado.

O estudo bem orientado, os esforços engendrados, os atos de abnegação e sacrifício em prol dos semelhantes, a resignação sem transformar-se em submissão, e o amor como ferramenta incondicional, são virtudes do medianeiro com Jesus.

Ao contrário de tais observações, torna-se o medianeiro em mero produtor de fenômenos, que não consolam, nem esclarecem, sendo preferido aos teatros e picadeiros que nos círculos iniciáticos espiritistas. Ao invés do mediunato ou “mandato mediúnico”, o mediunismo.

O intermediário deve também estar sujeito aos aplausos sem se afetar e às pedradas sem se abater.

O aplauso de hoje, não raro será a pedrada de amanhã e o que hoje serve aos ouvidos alheios amanhã será ponto de discórdia, pois a verdade é diamante que deve ser utilizado com parcimônia, para não ferir quem recebe e para não empolgar demasiadamente quem oferta.

A recompensa do trabalhador não será dada pelos homens, mas por Deus, e o verdadeiro trabalhador com Cristo, não a esperará, pois o amor tem de ser dado incondicionalmente, sem esperar nada em troca, senão poderá perder seu mérito.

Ajuda-te e o Céu te ajudará, afirmou Allan Kardec.
Trabalhemos com afinco e perseverança, não esperando retribuição ou paga alguma e conscientes que na escalada rumo a perfeição, que é uma escalada íngreme e cheia de empecilhos e vicissitudes, muitos se afastarão, outros nos caluniarão, outros ainda nos prejudicarão, simplesmente por não entenderem nossos objetivos nobres.

O mundo aprecia àqueles que querem tê-lo e se aproveitarem dele, daí Jesus advertir: “Quem quiser ganhar o mundo, perderá sua alma” iv

Gibran Kalil Gibran nos brinda com ensinamento sublime:

“Eu estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jovem rapaz, lendo um livro de filosofia. Pelo seu jeito, e pela saúde que mostrava, não combinava muito com os outros internos. Sentei-me ao seu lado e perguntei:

- O que você está fazendo aqui?

O rapaz olhou surpreso. Mas, vendo que eu não era um dos médicos, respondeu:

-É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele. Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Minha mãe desejava que eu fosse a imagem do seu adorado pai. Minha irmã sempre me citava seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido. Meu irmão procurava treinar-me para ser um excelente atleta como ele. Parou um instante e continuou: - E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglês - todos estavam determinados em suas ações e convencidos de que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem, mas como se olha no espelho. Um belo dia decidi ser eu mesmo, ai me internaram aqui.”

Quando nos tornamos independentes e pensamos com nossa cabeça, nos tornamos diferentes e para muitos uma ameaça. A técnica das ditaduras sempre foi dividir para conquistar e emburrecer para dominar, desta feita, o Cristo não nos promete a Terra, como recompensa pelos nosso esforços, mas o Reino dos Céus, que não está aqui ou acolá, mas dentro de nós mesmos.


i Nos domínios da mediunidade – André Luiz/F. C. Xavier;
ii Matheus 7, 7-11;
iii Idem, 23, 27-32;
iv Marcos, 8, 36.

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