Cadastre-se em nosso boletim semanal

Nome:
Email:
Cadastre-se e receba as atualizações do site

Interferências e Fé

O Trabalho no bem gera méritos.

Jesus nos deu o maior exemplo de fé em sua vida aqui no planeta Terra, pois repreendeu e expulsou espíritos imundos, que atormentavam as pessoas: acalamou o mar, para surpresa de seus apóstolos, e curou o criado de um centurião, que sofria terrivelmente, sem precisar ir à casa deste.

Não sejamos tímidos e pratiquemos a fé racional crítica, com a certeza de sermos atendidos em nossas necessidades.

Comentário de Ivete Tietz Granato

Interferências e Fé 

O trabalho no bem sempre gera méritos

Durante séculos os materialistas embaraçaram-se na busca de explicações para os enigmas da vida. Muito mais que fatos conhecidos, certas interferências em nosso dia-a-dia são freqüentes e naturais. Crer ou não crer sempre foi algo íntimo, pessoal, cuja convicção interior difere na exteriorização que sempre se procurou dar.

Mesmo para os religiosos cristãos, uma questão de compreensão sempre permeou o entendimento e uma dúvida atroz evitou maior exame das questões que estão hoje tão presentes como no momento da estadia física do Cristo entre nós.

Certa feita, num sábado, Jesus conversava em uma sinagoga com adeptos do proselitismo farisaico quando abruptamente adentra ao recinto um homem possesso de um espírito, o qual bradou1:

Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!

Mas Jesus o repreendeu, dizendo:

Cala-te e sai desse homem.

Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele. Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si:

Que vem a ser isto?

Para essa pergunta, ainda atual, poderíamos afirmar: uma intervenção espiritual pedagógica, destinada a provocar múltiplos cismares nos guardiões da Lei antiga e a estender pelos séculos divagações místicas sobre a conformidade da vida. Que interferências seriam aquelas? Quem somos? Preexistimos? Pois, pós-existimos? Portanto, seria aquilo a comunicação com os espíritos de mortos? Ou tratavam-se de demônios, entidades pervertidas, dedicadas ao mal?

De outra vez, após ter falado aos sofredores às margens do Lago, Jesus orientou aos discípulos para que passassem ao outro lado. Iria submeter o grupo de seguidores mais próximo a pequeno testemunho. Já era tarde. O Lago tem dimensões oceânicas para quem o observa sob o prisma da limitação da visão em terra. Por essa razão, era também conhecido como mar, o Mar da Galiléia.

Disse-lhes Jesus2:

- Passemos para a outra margem.

E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam.

Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram:

Mestre, não te importa que pereçamos?

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar:

Acalma-te, emudece!

O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse:

Por que sois assim, tímidos?! Como é que não tendes fé?

E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros:

Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

Sabemos que Jesus podia intervir em situações e cenários vários das lides diárias, bem como nos fenômenos naturais, já que era um com o Pai3 em pensamento. Nunca esteve só. A ação dos espíritos na natureza é uma intercorrência singular que o Divino Amigo direcionava, usando da maior valia espiritual de que dispunha. Bastaria um gesto das suas mãos, apenas um aceno, para que grupos de espíritos se mobilizassem no cumprimento de orientações, interferindo no fenômeno natural.

Novidade? Nem tanto.

O Livro dos Espíritos trata essa interferência com detalhe4.

Mas, só o Divino Amigo poderia fazer isso? Seria, assim, necessário dispor de recursos divinos para interferir na natureza?

Vejamos: no obra Nosso Lar5, a pedido de André Luiz, Narcisa invoca a ajuda de espíritos na natureza para socorrer o segundo esposo de Zélia, sendo prontamente atendida no intento.

Outro relato interpõe com clareza mediana a interferência dos espíritos nas vidas das pessoas. Num dado momento, Jesus entra em Cafarnaum e eis que é procurado por um militar romano6 que comandava uma centúria (pelotão de cem soldados), identificado publicamente pela patente (centurião), implorando:

Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.

Jesus lhe disse:

Eu irei curá-lo.

Ao que o centurião respondeu:

Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.

Jesus observava o interlocutor com a habitual atenção quando ouviu surpreendente relato:

Senhor: eu também sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.

Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse ao centurião:

Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado.

Ora, quem iria atender a um simples gesto da mão de Jesus e prontamente restabelecer a saúde do servo do militar solicitante? Naquela mesma hora. Não na hora seguinte ou amanhã. A argúcia do fardado romano demonstra que ele tinha correta percepção do cenário. Somente alguém com uma plêiade de colaboradores ágeis poderia realizar tudo com presteza e acerto incomparáveis.

Seres etéreos, espíritos, claro, davam suporte de equipe a Jesus. Eles interviam e, ainda hoje, intervêm sempre em nossas vidas, pensamentos e atos.

* * *

Trabalhadora da primeira hora, ela dedicava todo o seu tempo disponível entre a atividade profissional como lojista e o trabalho voluntário de apoio ao semelhante. Responsável pela campanha do agasalho numa fria cidade da zona das vertentes de Minas, tornara-se conhecida e admirada pelo denodo e capacidade de realização. Na família era o centro das atenções, reconhecida como mãe e avó modelar. No Movimento Espírita admirada como expoente do serviço ao semelhante. Vivia, em decorrência, permanentemente assessorada pelos afins do outro plano que lhe demonstravam a cada instante as boas companhias presentes.

Um dia, cuidava dos afazeres domésticos e alternava suas atenções a cada instante com uma netinha peralta, muito querida ao seu coração de avó extremada. Sua residência, no pavimento superior de um casarão, tinha em baixo lojas comerciais, de um estilo mais antigo, espaçoso e exuberante. Na parte frontal, uma sacada se elevava e servia para que o pessoal de casa tivesse acesso a uma excelente vista externa, muito desejada pelas crianças. Apesar da vigília constante, em dado momento a vovó surpreende a netinha subindo no parapeito da sacada. Suas mãos de avó, mãe duas vezes, gelaram. O coração parecia próximo de um colapso. Era um risco iminente. A altura provocaria uma tragédia, em caso de queda. Seu primeiro impulso foi atirar-se de encontro à garotinha e agarrá-la. Sentiu que não teria tempo. Quando viu o corpinho inclinar-se, apenas gritou, em voz alta:

- Valha-me Jesus amigo – e viveu a seguir os instantes mais longos da vida, que pareciam uma eternidade, interrompidos a seguir pelo surdo ruído da queda.

Não mais foi à sacada. Não queria ver. Pôs-se em ação. Dirigiu-se à porta de entrada da residência e, em desabalada corrida, incompatível com o seu condicionamento físico, alcançou logo a calçada onde transeuntes vários acercavam-se da criança que já estava de pé. Todos estavam maravilhados, enternecidos.

- Um milagre! – dizia alguém, olhando pra cima.

- Um socorro Divino! – diziam outros.

- Admirável sorte – retrucavam muitos.

- É a neta da senhora que cuida das campanhas do agasalho aos desvalidos – lembrou alguém.

Com o peito arfando de cansaço, susto e vibrando intenso amor, apenas disse a missionária em voz quase inaudível:

- Graças te dou, Senhor, e aos espíritos protetores por terem atendido minha rogativa.

E, por longo tempo, sempre que vinha à lembrança o acontecido, dizia:

- Cada vez mais me certifico de que os amigos espirituais estão por perto.

Inexplicavelmente para muita gente, com a queda, a criança nada sofrera. Nem a aceleração da gravidade, nem a altura, nem o rude concreto da hirta calçada, nem a fragilidade da garota foram fatores componentes de uma infausta ocorrência.

Esse fato atesta a veracidade de três assertivas correntes na vivência espírita:

  • Ø estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas7;
  • Ø não é pela multiplicidade das palavras que somos atendidos8; e
  • Ø os Espíritos sérios... procuram ajudar-nos9, ... porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte... e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo10.

Cada um de nós elege, por afinidade, as companhias que deseja, pela natureza dos pensamentos, palavras e ações que conosco mais se identificam. E é com esses afins que nos envolvemos, nas rotinas das nossas vidas. E, dependendo deles, ora estamos atrapalhados e embaraçados, ora ajudados ou amparados.

A escolha é livre. E pessoal.

As associações apenas uma conseqüência da escolha.

 

Postado por Antônio Rubatino, na RIE – Revista Internacional do Espiritismo, em  maio/2004.

1 Marcos 1: 23 a 27
2 Marcos 4: 35 a 41
3 João 10: 30
4 O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Q.536-b e 537-a e 538
5 Nosso Lar – André Luiz – Chico Xavier – 53a ed. – pág. 279
6 Mateus 8: 5 a 13
7 Paulo - Hebreus – 12: 1
8 Mateus 6: 7
9 O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Q. 458
10 O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Q. 660